Maratonista amador ajuda rival exausto e vira herói mundial em Boston
Maratonista ajuda rival exausto e vira herói em Boston

Atitude de corredor brasileiro emociona o mundo

O paulista Robson de Oliveira, de 36 anos, não estabeleceu nenhum recorde mundial ou pessoal na Maratona de Boston, disputada no último dia 20. No entanto, seu gesto de solidariedade ao ajudar o americano Ajay Haridasse, que cambaleava a cerca de 400 metros da linha de chegada, viralizou e o transformou em um herói improvável. Robson sacrificou seu próprio tempo na prova mais tradicional dos 42,2 km para demonstrar empatia em um ambiente de alta competição, resgatando o que muitos chamam de verdadeiro espírito esportivo.

Quem é Robson de Oliveira?

Formado técnico de produção pelo Senai, Robson trabalha operando máquinas que produzem motores para caminhões na Scania, muitas vezes em turnos da madrugada. Seus treinos são realizados após o expediente, antes de dormir. Diferente dos maratonistas amadores que priorizam as World Majors, como Nova York, Berlim, Chicago, Sydney e Londres, Robson sempre sonhou apenas com Boston. "Não faço questão de correr Nova York ou Berlim, mas Boston era meu sonho", afirmou. Enquanto muitos competidores têm alto poder aquisitivo, treinamento supervisionado e estratégias nutricionais, Robson é filho de pedreiro e empregada doméstica que migraram do Ceará para o ABC nos anos 1970. Seu salário bruto é de cerca de R$ 10 mil, e ele trabalha em turnos alternados, incluindo sábados.

Detalhes da corrida e do gesto

Robson completou a Maratona de Boston com o tempo de 2h44min26s, ligeiramente acima de seu recorde pessoal de 2h43min46s, obtido em Buenos Aires em 2024, sua primeira viagem internacional. Para retornar a Boston em 2025, ele fez um bate e volta aéreo, aproveitando o feriado prolongado de Tiradentes no Brasil. Durante a prova, ao ver Ajay Haridasse em colapso, Robson não hesitou em ajudá-lo, mesmo sabendo que isso prejudicaria seu desempenho. Ele revelou que só agiu porque viu outro corredor, o norte-irlandês Aaron Beggs, também disposto a ajudar. "Não achava que seria capaz sozinho", explicou. Não foi a primeira vez que Robson auxiliou alguém: na Maratona do Rio de 2025, ele já havia socorrido um corredor nos metros finais.

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Repercussão e falta de patrocínio

O gesto rendeu convites para entrevistas em emissoras de TV brasileiras e impulsionou seu perfil no Instagram, que saltou de 350 a 500 curtidas por post para dezenas de milhares. Apesar da fama, Robson segue sem patrocínio. Ele corre com tênis de placa de carbono comprados em promoções, usando programas de fidelidade ou vendendo produtos. Em Boston, vestiu-se inteiramente com a marca Adidas, incluindo a faixa na cabeça que apareceu em fotos mundialmente divulgadas. A Scania, sua empregadora, afirmou que "valoriza atitudes que contribuem para um mundo melhor" e que o gesto "reflete os valores da empresa", mas esclareceu que não patrocina atletas individuais, embora incentive o bem-estar físico e mental de seus colaboradores por meio do Scania Club.

Trajetória e paixão pela corrida

Fluente em Língua Brasileira de Sinais (Libras), por ser casado com uma deficiente auditiva que também corre, Robson começou a correr há dez anos, em uma prova de 5 km em São Bernardo do Campo, onde fez cerca de 21 minutos. Sua primeira maratona foi a de São Paulo, em 2019, com 3h26min03s. Ele já calçou marcas como Nike, Olympikus e Fila, e não se importa em pagar por equipamento de qualidade. Sua próxima prova será a Maratona Monumental de Brasília, em novembro, para a qual recebeu inscrição gratuita e hospedagem, mas o transporte é por conta própria.

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