Thalita Rebouças desabafa sobre críticas por não querer ser mãe e fala de nova fase na carreira
Thalita Rebouças fala sobre críticas por não ser mãe e carreira

Escritora Thalita Rebouças enfrenta preconceito por decisão de não ter filhos e celebra 25 anos de carreira

A jornalista, escritora, roteirista e apresentadora brasileira Thalita Rebouças, de 51 anos, conhecida por seus mais de 20 livros voltados ao público jovem, é a entrevistada desta semana da coluna GENTE. Em conversa franca, ela aborda as duras críticas que recebe por defender o direito de quem não deseja ser mãe, assim como ela própria, e compartilha detalhes sobre seus projetos atuais, incluindo um musical em cartaz no Rio de Janeiro e uma série que estreará em breve.

Uma carreira sólida e reconhecida

Thalita Rebouças construiu uma trajetória impressionante na literatura infantojuvenil ao longo de 25 anos. Em 2025, foi semifinalista do prestigiado Prêmio Jabuti com o livro Falando sério sobre a adolescência e atuou como curadora da programação da Bienal do Livro Rio 2025. Seus roteiros mais recentes incluem o filme Traição entre Amigas e diversas adaptações televisivas de suas obras. Atualmente, ela está em cartaz como atriz e cantora no musical Fala Sério, Mãe! – Elas Só Mudam de Endereço, no teatro Roxy, em Copacabana, zona sul do Rio.

O desafio de voltar aos palcos

"Está sendo maravilhoso, nunca achei que fosse amar tanto fazer isso", afirma Thalita sobre sua experiência no musical. Ela revela que, apesar de ter feito teatro na adolescência para perder a timidez, esta é sua primeira atuação profissional. "Foram dois meses de ensaio, todos os dias. E não é só atuar; é cantar, dançar, decorar coreografia", descreve, destacando o cansaço físico, mas também a satisfação pessoal. A escritora enfatiza a importância de sair da zona de conforto: "Vivo falando para todo mundo: ‘nunca é tarde pra começar nada’. Por que não se desafiar?"

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Projetos que conectam gerações

Thalita está lançando o livro Felicidade Inegociável e Outras Rimas pela editora Harper Collins, abordando temas como menopausa e luto. Além disso, sua série Juntas e Separadas, que trata de mulheres maduras e amizade feminina após os 40 anos, estreará em breve no Globoplay. "É a minha primeira série e falo de uma coisa que eu nunca tinha falado até então, que é a vida pós-divórcio", comenta, referindo-se à sua própria experiência de separação aos 40 anos após um casamento longo.

A defesa do direito de não ser mãe

Um dos pontos mais marcantes da entrevista é quando Thalita Rebouças fala sobre as críticas que enfrenta por não ter filhos. "Durante muitos anos, fui aquela pessoa: ‘Thalita Rebouças, que não tem filho, lança décimo livro’ ou ‘Thalita Rebouças, que não é mãe, publica na Alemanha’. Sempre era isso", relata. Ela questiona a cobrança social dirigida especificamente às mulheres: "Eu não sei se é porque sou mulher, essa cobrança de que você só é feliz plenamente se for mãe é uma crueldade".

A escritora destaca que já ouviu comentários como "mas como você entende tanto de mãe, se não é mãe?" e responde com firmeza: "Gente, porque eu sou filha!". Ela expressa orgulho em levantar a bandeira de que está tudo bem não ter filhos e rebate argumentos como "quem vai cuidar de você quando você envelhecer?" com humor e determinação: "Eu trabalho para pagar alguém para não encher o saco de mim. É cruel".

Diálogo com as novas gerações

Thalita Rebouças mantém uma conexão forte com o público jovem, mesmo após 25 anos de carreira. "A pesquisa hoje passa pelas redes sociais, que têm muitos influenciadores… E convivo muito com os jovens, faço muita tarde de autógrafo, viajo pelo Brasil inteiro", explica. Ela critica a ideia de que jovens não leem, citando as bienais do livro como exemplo de engajamento: "Você vai numa Bienal do Livro e o que se vê é a coisa mais linda, adolescentes com mala de mão cheia de livros".

No musical, ela incorpora elementos da comunicação digital, como emojis e abreviações usadas pela Geração Z, mostrando sua capacidade de adaptação. "Tem uma cena que a Ângela Cristina, que é a minha personagem, decifra com muita naturalidade as mensagens no celular da filha", ilustra.

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Reflexões sobre temas tabus

A escritora também aborda a menopausa, tema de seu novo livro, destacando a falta de diálogo sobre o assunto. "Se tem 74 sintomas, tive 72 fácil, as mulheres não falam, ninguém avisa para você", compartilha. Ela conecta essa experiência ao luto, após perder três pessoas importantes em seis meses, e ressalta como a escrita a ajudou a processar esses momentos difíceis.

Thalita Rebouças conclui reafirmando sua paixão pela literatura e pelo contato com o público, deixando claro que, apesar das críticas, segue feliz e realizada em suas escolhas pessoais e profissionais.