Tadeu Schmidt revela como evitou comparações com o irmão Oscar, lenda do basquete
O apresentador Tadeu Schmidt, conhecido por comandar o reality show "Big Brother Brasil", abriu o coração sobre sua relação com o irmão mais velho, Oscar Schmidt, o maior pontuador da história do basquete brasileiro, que faleceu na última sexta-feira (17), aos 68 anos. Em diversas entrevistas ao longo dos anos, Tadeu detalhou como a sombra do ídolo nacional o levou a abandonar o caminho esportivo e buscar sua própria identidade profissional no jornalismo.
O peso da comparação e a decisão pelo jornalismo
Em participação no programa "Altas Horas", Tadeu confessou: "Nunca sonhei em ser jornalista. Nunca sonhei em ser médico, dentista. Nunca sonhei exercer uma profissão tradicional. E sempre quis ser atleta. E como meu irmão era um ídolo, sempre achei que seria um ídolo do esporte também". No entanto, após ser cortado da seleção brasileira infanto-juvenil de vôlei, ele recebeu conselho de Oscar: "não desista, eu também fui cortado da minha primeira seleção".
Mas a realidade era diferente: enquanto Oscar foi cortado da seleção adulta aos 15 anos, Tadeu enfrentou uma decepção precoce. "Foi uma grande decepção e eu achei que eu não ia conseguir ser grande no vôlei como eu gostara de ser. Aí desisti", relatou. Anos depois, refletiu: "um garoto de 17 anos não tem que parar de fazer nada, tem que começar a fazer as coisas. Felizmente eu consegui me realizar na profissão como jornalista".
O afastamento do basquete e a busca por identidade própria
Em entrevista ao Flow Podcast, Tadeu revelou que tentou o basquete antes do vôlei, mas a comparação constante o afastou. "Joguei basquete algum tempo, mas muito pouco quando eu era pequeninho, mas a coisa do Oscar era tão forte, que me afastou do basquete, porque era sempre comparação, e eu não queria aquilo. Então eu eliminei o basquete da minha vida por isso".
Mesmo no vôlei, não escapou do rótulo: "Eu ia ser sempre o irmão do Oscar. Aí eu fui jogar vôlei, e: 'Ah, aquele é o irmão do Oscar'. E normal que é uma forma de identificar a pessoa. O chato é quando parece que você não faz nada. Você só tem qualquer coisa porque é irmão do Oscar".
Em postagem nas redes sociais, Tadeu resumiu: "Antes mesmo de a minha carreira começar, eu sabia que precisava ser quem eu sou. Imagina! Sendo irmão de um herói nacional, eu precisava muito ser eu mesmo. Levei isso como lição para minha vida".
A postura profissional e o legado de Oscar
Como repórter esportivo, Tadeu adotou uma postura profissional rigorosa em relação ao irmão. Em 2019, revelou que nunca quis entrevistar ou falar sobre Oscar em seus trabalhos jornalísticos. Segundo ele, Oscar era "muito briguento" em quadra, e ele não queria se colocar na posição de criticar publicamente o irmão.
A história dos irmãos Schmidt se entrelaça com momentos marcantes do esporte brasileiro. Em 26 de julho de 1996, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, Oscar Schmidt foi fotografado visivelmente cansado durante a partida contra a Iugoslávia no Georgia Dome. A Seleção Brasileira perdeu aquela partida e não conquistou medalha naquela edição das Olimpíadas.
Recentemente, no "Sincerão" do BBB, Tadeu voltou a abordar temas pessoais, mantendo a transparência que caracteriza sua trajetória. A morte de Oscar Schmidt reacendeu as memórias dessa relação fraternal complexa, onde admiração e necessidade de individualidade conviveram ao longo dos anos.
O legado de Oscar Schmidt como maior pontuador da história do basquete brasileiro permanece intacto, enquanto Tadeu Schmidt construiu seu próprio caminho como um dos jornalistas e apresentadores mais reconhecidos da televisão brasileira, provando que é possível honrar um legado familiar sem viver à sombra dele.



