A atriz Roberta Rodrigues, de 43 anos, quebrou o silêncio e falou publicamente pela primeira vez sobre um abuso sexual que sofreu durante a infância. O desabafo aconteceu durante uma participação em um programa no YouTube, no qual a também atriz Helga Nemeczyk, 45, compartilhou ter vivido uma situação semelhante quando criança.
O despertar de uma memória reprimida
Roberta contou que a lembrança do trauma esteve apagada de sua mente por décadas. Foi apenas durante a pandemia, já na casa dos 30 anos, que o fato veio à tona de forma inesperada. "Lembro que meu pai ou minha mãe ligou e falou alguma coisa assim: 'Fulano morreu'. Foi aí que entendi porque eu não gostava daquele amigo do meu pai, porque eu sempre agredia ele", explicou a atriz. Ela descreveu o momento como um turbilhão: "Veio tudo na minha mente, tinha apagado".
O impacto na maternidade e os cuidados com a filha
A experiência traumática impactou diretamente a forma como Roberta Rodrigues cuida de sua filha, Linda Flor, de 8 anos. A atriz revela adotar medidas protetivas rigorosas. "Eu não deixo a menina dormir na casa de ninguém", afirmou. Além disso, ela mantém diálogos constantes e precoces com a filha sobre limites corporais e autonomia, um trabalho que também é abordado em suas sessões de terapia.
Memória do trauma: apagar versus nunca esquecer
Enquanto Roberta vivenciou a repressão da memória, Helga Nemeczyk apresentou uma relação diferente com o passado. "Tem gente que apaga e tem gente que não esquece. Eu nunca esqueci", disse Helga. Ela revelou carregar por anos um sentimento de culpa injusto: "Sempre achei que a culpa fosse minha, mas eu era uma criança".
Para Helga, as consequências de ter empurrado essas vivências "para debaixo do tapete" só se manifestaram claramente após os 30 anos, com o surgimento de crises de pânico e ansiedade. O relato das duas atrizes destaca como traumas na infância podem ecoar na vida adulta de maneiras distintas, afetando a saúde mental e as relações familiares.
Os desabafos, ocorridos em 19 de janeiro de 2026, jogam luz sobre a importância do debate público em torno do abuso infantil e dos mecanismos de enfrentamento e cura, encorajando outras vítimas a buscarem apoio.