MC Danilo Boladão, ícone do funk na Baixada Santista, morre aos 47 anos em Santos
Danilo Mariano Leão Laureano, conhecido artisticamente como MC Danilo Boladão, faleceu na madrugada desta quarta-feira (11) em Santos, no litoral de São Paulo, após sofrer três paradas cardíacas. O cantor, que dedicou mais da metade de sua vida ao funk, tinha 47 anos e era considerado um dos percursores do ritmo na Baixada Santista, ajudando a consolidar o gênero na região com sua música consciente e engajada.
Emergência médica e falecimento
De acordo com informações da família, Danilo acordou com falta de ar durante a madrugada e foi rapidamente levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste de Santos. Infelizmente, ele não resistiu às complicações cardíacas, sucumbindo após uma série de paradas. Nas redes sociais, onde acumulava cerca de 89 mil seguidores, o artista se descrevia como cantor, compositor, músico e ator, sempre envolvido com o funk que retrata a realidade das comunidades.
Trajetória musical e parceria histórica
Criado no conjunto habitacional BNH, entre os prédios cinzas que marcaram sua infância, Danilo Boladão transformou as experiências vividas na comunidade santista em letras poderosas. Foi ali que, ainda criança, conheceu Fabinho, com quem formaria uma dupla que se tornou emblemática na história musical de Santos. Já adolescentes, os dois trocaram brincadeiras nas vielas por anotações em pedaços de papel, que mais tarde virariam versos cantados em bailes que marcaram gerações.
A dupla inicialmente surgiu para participar de um festival, mas a parceria cresceu e eles passaram a ser requisitados para animar eventos por toda a cidade. Danilo interrompeu brevemente a carreira quando foi preso, mas retomou as apresentações com Fabinho logo após deixar a cadeia, em 2004. O retorno foi histórico, com lotação máxima no Clube Atlético Portuários de Santos, consolidando um dos momentos mais importantes do funk na região.
Após anos de sucesso, os dois seguiram carreiras solo, mas recentemente se reuniram para uma turnê em comemoração aos 30 anos de trajetória, celebrando a marca indelével que deixaram na cultura local.
Vida pessoal e desafios de saúde
Danilo Boladão morou no conjunto habitacional BNH até o último dia de vida, mantendo forte conexão com suas raízes. Ele deixou a esposa Thays Kolben, com quem mantinha um relacionamento há 15 anos, uma filha de 18 anos de um casamento anterior e um neto. Ao longo da vida, o artista enfrentou sérios problemas de saúde decorrentes de complicações da diabetes, incluindo diversas amputações nos membros inferiores, como dedos dos pés e parte do calcanhar.
Homenagens e legado
A morte de Danilo Boladão comoveu o mundo do funk, com diversos amigos e colegas manifestando pesar nas redes sociais. Fabinho, seu parceiro de longa data, publicou uma foto abraçado ao amigo com a legenda “Que dor é essa”, expressando a profunda tristeza. Outras personalidades, como MC Lon, que o chamou de “mestre maior”, e MC Hariel, que agradeceu pela arte e pela vida, também prestaram homenagens.
MC Mãozinha relembrou momentos ao lado de Danilo, afirmando que ele será “eterno em nossos corações”. A perda ressalta o impacto duradouro de Danilo Boladão, cuja música consciente e dedicação ao funk continuarão a inspirar futuras gerações na Baixada Santista e além.



