Giovanna Antonelli celebra 50 anos com reflexão sobre força feminina e novos projetos
A atriz Giovanna Antonelli, que recentemente completou 50 anos, abre seu coração em uma entrevista exclusiva sobre sua trajetória e a evolução na representação de mulheres fortes na televisão e no cinema. Com uma carreira que atravessa décadas, ela destaca como sua percepção sobre o poder feminino se transformou radicalmente.
Novos projetos: vulnerabilidade como potência
Entre seus trabalhos atuais, estão a continuação da novela Beleza Fatal, no streaming HBO Max, e os filmes Rio de Sangue e Garota. Antonelli explica que essas personagens revelam um novo tipo de força, distante do controle e mais próxima da resistência e da vulnerabilidade.
Em Rio de Sangue, ela interpreta uma policial que não é uma heroína tradicional, mas uma mulher marcada por erros, culpa e a luta pela sobrevivência. Já Elvira, de Beleza Fatal, apresenta camadas complexas e tensão em um universo ainda pouco explorado. No filme Garota, surge uma personagem em transição, enfrentando mudanças profundas e um processo de reinvenção pessoal.
Evolução do conceito de força feminina
A atriz reflete sobre como sua visão mudou desde o início da carreira. "Antes, a força vinha do domínio. Agora, vem da resistência", afirma. Ela destaca que suas personagens atuais não buscam agradar ou ser admiradas, mas sim sobreviver, reconstruir-se e não desmoronar diante das adversidades.
Quando o controle desaparece, algo mais autêntico emerge: o instinto, os limites e as emoções cruas. Essa abordagem representa uma mudança significativa na forma como as mulheres são retratadas em suas interpretações.
Empoderamento além das telas: o projeto ELAS
Além de atriz, Giovanna Antonelli é empresária e criadora do evento ELAS, um encontro de imersão focado em empreendedorismo e empoderamento feminino. Ela explica que a iniciativa nasceu da escuta atenta, ao perceber um padrão em mulheres talentosas, mas travadas, que esperam o momento ideal para agir.
"O ELAS surge justamente para provocar essa virada — sair da dúvida para a ação", diz. O objetivo é ajudar mulheres a retomarem o controle de suas vidas, autorizando-se e ocupando espaço sem se diminuir.
Impacto duradouro: de Jade aos dias atuais
A atriz relembra o alcance de seu impacto com personagens como Jade, de O Clone (2001), que até hoje é lembrada como uma referência cultural. "Jade é um ótimo exemplo: mais que pela estética, ela virou comportamento, identidade, atitude", reflete.
Ela percebeu que o público não queria apenas copiar o visual, mas absorver a narrativa e o que aquela mulher representava. Esse entendimento reforçou seu respeito pela influência que suas personagens exercem na vida real.
Maturidade aos 50: liberdade e consciência
Aos 50 anos, Giovanna Antonelli se vê como uma mulher e atriz mais livre, consciente e sem negociações com o que não faz sentido. "Hoje não negocio mais a minha paz", afirma. Ela não busca mais um auge, mas sim movimento constante.
Para ela, empoderar outras mulheres passa por um ponto essencial: a decisão. "Protagonismo são escolhas. E quero ajudá-las a escolher autorizar-se, permitir-se, empoderar-se". A atriz finaliza com uma declaração poderosa: "Parei de tentar provar meu valor".
Publicado originalmente na revista VEJA, edição nº 2989 de 3 de abril de 2026, esta entrevista captura a essência de uma artista em constante evolução, dedicada a inspirar e fortalecer mulheres dentro e fora das telas.



