Juliano Cazarré anuncia evento masculino e recebe críticas de colegas atores
Cazarré anuncia evento masculino e é criticado por atores

Ator Juliano Cazarré anuncia evento para homens e enfrenta onda de críticas de colegas de profissão

Com o objetivo declarado de reunir homens "que assumam seu papel", o ator Juliano Cazarré, de 45 anos, utilizou suas redes sociais para divulgar o lançamento de um evento voltado exclusivamente para o público masculino. Segundo ele, a iniciativa é destinada a homens que, assim como ele próprio, não têm medo de se expor publicamente.

O evento "O Farol e a Forja" e sua proposta controversa

Na publicação, Cazarré descreve "O Farol e a Forja" como "o maior encontro de homens do Brasil", com data marcada para julho, na cidade de São Paulo. Conhecido por suas posições conservadoras e pela fé católica, o ator justifica a criação do evento como uma "recusa em ficar calado" diante do que ele classifica como um enfraquecimento progressivo dos homens na sociedade contemporânea.

Em sua legenda, Cazarré detalha que o encontro tem importância crucial para recuperar "homens perdidos em uma sociedade que os enfraquece e que paga um preço alto por isso". No entanto, essa narrativa não foi bem recebida por diversos colegas de profissão que já compartilharam sets de gravação com ele na Rede Globo.

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Reações negativas de artistas destacam preocupação com discurso

A página do evento rapidamente se tornou palco de críticas contundentes. A atriz Marjorie Estiano foi uma das primeiras a se manifestar, alertando para "um discurso que já é ampla e profundamente difundido e que mata mulheres todos os dias". Claudia Abreu reforçou o ponto, lembrando que o Brasil detém tristes recordes de feminicídios, contexto que torna a proposta de Cazarré ainda mais delicada.

Elisa Lucinda rebateu a publicação de forma direta, afirmando que o ator vai "na contramão dos avanços do mundo". Em um comentário extenso, ela questionou: "Desculpa, meu colega Cazarré, mas não me parece razoável tamanho atraso no seu pensar. Jesus era de esquerda. Multiplicação dos peixes nunca foi coisa de direita. O bolsa família parece mais com planos de Jesus. Já assinar embaixo as loucuras do Trump, por exemplo, me parece coisa dos romanos que mataram Jesus. Acho essa iniciativa da Forja aí um grande e preocupante delírio".

Outras vozes se somam às críticas e Cazarré defende sua posição

Paulo Betti concordou com Elisa Lucinda e ainda chamou Cazarré de convencido, observando: "É tanto convencimento que ele se refere a si na terceira pessoa, como se fosse uma entidade". Letícia Isnard, que contracenou com ele na novela "Avenida Brasil" em 2012, optou por um tom mais conciliador, pedindo orações. Já Julia Lemmertz resumiu sua preocupação com a frase: "Que Deus tenha piedade dessa nação".

Recentemente, em entrevistas, Juliano Cazarré admitiu que ficou marcado por não se manter neutro e por não aderir a linhas progressistas. Ele explicou: "Política, eu evito falar. Se você for pegar lá no meu Instagram, vai ver que tem muito pouco nos últimos anos. Mas eu fiquei marcado por ser uma pessoa que não é de esquerda". O ator acrescentou que essa é uma posição rara no meio artístico: "É uma posição que pouquíssimos atores têm coragem de dizer, embora eu conheça vários que também não são, mas ficam na moita por medo da repercussão negativa, do cancelamento, de perder publicidade".

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