BTS escolhe marca coreana Songzio para retorno, em manifesto de soberania cultural
BTS retorna com marca coreana Songzio em manifesto cultural

BTS surpreende ao trocar grifes europeias por marca sul-coreana Songzio em retorno

No aguardado retorno após o serviço militar, o BTS não apenas retoma sua trajetória musical, mas também redefine sua identidade visual de forma impactante. Em vez de continuar vestindo gigantes do luxo europeu como Dior, Gucci, Calvin Klein e Celine, o grupo optou pela marca sul-coreana Songzio, um gesto poderoso de afirmação cultural que está gerando ampla discussão.

Um manifesto de soberania cultural através da moda

Esta escolha representa uma virada significativa na engrenagem do luxo contemporâneo. Enquanto antes o grupo buscava validação através de marcas europeias, agora olha para dentro, valorizando suas raízes coreanas. O palco escolhido para o comeback, a histórica Gwanghwamun Square em Seul, e o álbum "Arirang", inspirado em uma canção folclórica centenária, já indicavam essa direção, mas foi o figurino que selou a mensagem.

O designer Jay Songzio, em entrevista ao The New York Times, destacou a importância simbólica deste momento: "no mercado internacional de luxo, é difícil para um designer coreano independente", afirmou, acrescentando que ver "ícones coreanos escolherem uma marca coreana para um momento histórico" foi algo emocionante e profundamente significativo.

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A coleção "Armadura Lírica" e suas referências históricas

A coleção batizada de "Armadura Lírica" traduz esse gesto com maestria. Ela incorpora referências diretas às armaduras da dinastia Joseon, mas sem a rigidez tradicional. A ideia inicial de estruturas pesadas foi abandonada em favor da fluidez do hanbok, o traje tradicional coreano, criando uma tensão bonita entre proteção e movimento, passado e futuro.

Os tecidos naturais, como algodão e linho trabalhados na Coreia, ganham textura quase pictórica, reminiscente de pinceladas sobre papel antigo. Um conceito central é a palavra "han", um sentimento difícil de traduzir que mistura saudade, dor e resistência, nascido da história turbulenta coreana. Songzio explicou que "tentamos reimaginar os membros do BTS como figuras heroicas, conduzindo nossa cultura para um futuro mais luminoso".

Individualidade e transformação no palco

Desta vez, a identidade coletiva do grupo dá espaço à individualidade de cada membro. Segundo o estilista, antes do hiato o BTS operava mais como uma unidade; agora, cada integrante carrega uma assinatura própria, construída através de reuniões individuais e ajustes minuciosos.

  • RM surge como o líder-herói
  • Jin como o artista
  • Jimin como o poeta
  • Suga como o arquiteto
  • Jungkook como a vanguarda
  • J-Hope encarna o Sorigun, misturando tradição e musicalidade
  • V representa o Doryeong, oscilando entre nobreza e sofisticação

As peças foram projetadas para se transformar durante as performances, com zíperes ocultos, volumes expansíveis e camadas removíveis. Por exemplo, J-Hope veste uma calça cargo de estética militar que se abre dramaticamente, enquanto RM tem um casaco que se desdobra em capa.

Reposicionamento global e futuro da moda coreana

O que está em jogo aqui vai além da estética; é um reposicionamento cultural. O BTS retorna não como um produto do Ocidente, mas como autor de sua própria narrativa. A moda deixa de ser apenas vitrine e passa a ser discurso, demonstrando que o futuro global pode ser escrito a partir de raízes locais.

Este gesto pode ser o mais potente do grupo até hoje, mostrando que estilo, quando bem utilizado, também é uma forma de soberania cultural. Ao escolher Songzio, o BTS não apenas veste roupas, mas veste história, identidade e um manifesto de orgulho coreano que ressoa mundialmente.

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