Memorial dos Mamonas Assassinas inaugurado com cinzas transformadas em mudas de jacarandá
Memorial dos Mamonas com cinzas viram mudas de jacarandá

Memorial dos Mamonas Assassinas une emoção e natureza em homenagem eterna

Nesta segunda-feira (2), o Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Grande São Paulo, foi palco de uma cerimônia profundamente emocionante. Familiares dos integrantes dos Mamonas Assassinas inauguraram um memorial dedicado à banda, trinta anos após o trágico acidente aéreo que ceifou as vidas de Dinho, Bento, Sérgio, Samuel e Júlio. A violinista Simone Cardoso embalou cada momento com uma versão instrumental de "Pelados em Santos", transformando o ritual em uma verdadeira trilha sonora de saudade e celebração.

Centro de incubação transforma cinzas em vida

O memorial, que será aberto ao público na quarta-feira (4), apresenta uma proposta inovadora e simbólica. As cinzas dos cinco músicos foram depositadas em urnas especiais, juntamente com sementes de jacarandá. Estas urnas agora repousam em um centro de incubação, onde permanecerão por um período de 12 a 24 meses. Durante este tempo, as sementes germinarão e se desenvolverão em mudas, que posteriormente serão plantadas na área do memorial, dando origem a cinco jacarandás – um para cada integrante da banda.

Conforme explicado pelo Jardim BioParque Memorial, esta iniciativa representa um gesto de renovação e eternidade. A ideia é criar um "memorial vivo", que se afasta da concepção tradicional de túmulo estático. "A ideia foi tirar da lógica de túmulo estático e transformar em um espaço de vida, encontro e homenagem permanente", afirmou Jorge Santana, CEO da marca Mamonas.

Emoção transbordante dos familiares

Os parentes dos artistas expressaram uma mistura de sentimentos durante a cerimônia. Célia Alves, mãe do vocalista Dinho, não conteve as lágrimas. "Para mim foi muito emocionante. Eu achava que era uma coisa tão diferente, mas foi mais lindo do que eu pensava. Os nossos meninos merecem. Vai ficar na nossa lembrança para sempre", declarou. Ela ressaltou que, mesmo após três décadas, a saudade permanece viva, especialmente para uma mãe.

Gracie Kellen, irmã de Dinho, compartilhou sentimentos similares. "É um mix de sentimentos. É uma alegria ter um memorial desses. A gente tendo essa oportunidade é maravilhoso e a gente fica muito emocionado. Ao mesmo tempo é a saudade, 30 anos, passa um filme na cabeça". Já Paula Rassec, irmã do tecladista Júlio, descreveu a cerimônia como "singela, emocionante, e extremamente delicada e muito bonita".

Objetos intactos descobertos na exumação

Um dos aspectos mais surpreendentes revelados recentemente foi a descoberta de objetos praticamente intactos durante a exumação dos corpos, realizada em fevereiro. Sobre o caixão de Dinho foi encontrada uma jaqueta vermelha, do mesmo modelo daquela vista no local do acidente, mas que havia sido colocada no enterro por um membro da equipe. A peça, feita de nylon – material que pode levar séculos para se decompor – estava em perfeito estado.

O pai de Dinho, Hildebrando Alves Leite, informou que a família pretende doar a jaqueta para o museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos, para integrar uma exposição permanente. Já sobre o caixão do guitarrista Bento, foi localizado um bicho de pelúcia, também em bom estado. A cunhada de Bento, Claudia Hinoto, acredita que o item foi um presente de um fã. A pelúcia será exposta no próprio memorial no Cemitério Primaveras.

Um espaço para fãs e história

O memorial não se resume às árvores. Na frente do espaço, os visitantes encontrarão uma réplica da famosa Brasília amarela, ícone da banda. Atrás, estão os túmulos originais dos integrantes. A visitação será gratuita, e as famílias terão controle sobre o conteúdo disponibilizado, tanto no ambiente físico quanto nas plataformas digitais associadas.

A intenção é que o local se torne um ponto permanente de visitação na rota cultural de Guarulhos, cidade natal do grupo. Além disso, as famílias estudam a criação de um museu dedicado aos Mamonas Assassinas, com acervo de roupas e objetos pessoais, ampliando as ações do Instituto Mamonas Assassinas, que já desenvolve projetos sociais.

Documentário revive legado humorístico e emocional

Coincidindo com a data, a TV Globo exibiu o documentário ‘Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú’, que reconstrói a trajetória meteórica da banda através de imagens e depoimentos exclusivos. Com participações de personalidades como Serginho Groisman e Tom Cavalcante, a produção celebra o humor, a ousadia e o impacto duradouro dos cinco jovens de Guarulhos na cultura brasileira.

O memorial dos Mamonas Assassinas se ergue, portanto, não apenas como um local de luto, mas como um testemunho de vida, arte e conexão eterna com seus fãs. Através das raízes dos jacarandás, a lembrança de Dinho, Bento, Sérgio, Samuel e Júlio continuará a florescer, transformando saudade em renovação perene.