Santos vence estreia com Gabigol, mas analistas alertam: 'Pode ser problema'
Gabigol no Santos: vitória na estreia, mas alerta de analistas

O Santos iniciou sua jornada no Campeonato Paulista de 2026 com uma vitória emocionante, marcada pela estreia e pelo gol do atacante Gabigol. O resultado, no entanto, foi analisado com cautela pelos editores da VEJA, Amauri Segalla e Fábio Altman, no programa Bola Quadrada. Eles alertam que a euforia imediata deve ser contida diante das incertezas que cercam o elenco e, principalmente, a regularidade do novo camisa 10.

Vitória com virada, mas sem autorização para euforia

O triunfo santista aconteceu no dia 14 de janeiro de 2026, após o time sair atrás no placar e conseguir uma virada nos minutos finais. Gabigol balançou as redes e Thaciano garantiu o resultado. Apesar da festa na Vila Belmiro, os especialistas foram enfáticos: o desempenho anima, mas não serve como passaporte para sonhos desmedidos.

Fábio Altman adotou um tom particularmente cauteloso. Ele classificou Gabigol como um jogador de "altos e baixos", conhecido por atuar "quando quer". A grande interrogação, segundo ele, é a motivação do atacante ao longo de toda a temporada. "Até quando ele vai se sentir motivado?", questionou, sugerindo que o rendimento pode cair rapidamente após o brilho inicial.

Gabigol: solução ou mais um problema para o Santos?

O debate central girou em torno do risco que a contratação representa. Altman foi direto ao afirmar que existe a possibilidade real de o artilheiro se tornar "mais um problema do que uma solução" para o Peixe, caso a motivação não se mantenha constante. Ele lembrou que a carreira de Gabigol entrou em uma fase de oscilações após sua saída do Flamengo e que um comportamento imprevisível se tornou uma de suas marcas.

Amauri Segalla reconheceu os pontos positivos. Ele destacou que o jogador parece se sentir à vontade no clube de origem e tem uma identificação natural com a torcida. Além disso, elogiou sua capacidade goleadora e seu faro de gol. "Ele sabe se posicionar e põe a bola dentro", afirmou. No entanto, mesmo reconhecendo essas qualidades, Segalla concordou que o histórico recente do atacante inspira cuidado e não elimina o risco de instabilidade.

A dupla com Neymar e os testes que virão

Outro ponto abordado foi a eventual parceria no ataque com Neymar, que ainda se recupera de lesão sem data certa para voltar. Segalla vislumbrou um cenário positivo: se o entrosamento funcionar, o Santos poderá montar "um dos melhores ataques do Brasil".

Altman, mais uma vez, buscou esfriar as expectativas. Para ele, existe "um belo risco" de a dupla não atingir o potencial esperado, seja por questões físicas, seja pelo perfil similar dos dois astros. A avaliação convergiu para a ideia de que, apesar do alto potencial, a concretização desse sonho depende de vários fatores que ainda estão no campo das incógnitas.

Os analistas concluíram que a vitória na estreia e o gol de Gabigol são, de fato, sinais positivos. Contudo, são insuficientes para alterar radicalmente o patamar de expectativas em um clube que vive um jejum de títulos desde 2016. Com o Campeonato Paulista apenas começando e os elencos ainda em fase de ajuste, a palavra de ordem para a torcida santista, segundo Segalla e Altman, deve ser prudência. O verdadeiro exame do time e de sua nova estrela será a busca pela regularidade ao longo dos próximos meses.