Tríduo Pascal em Juiz de Fora homenageia heróis das chuvas com rito do lava-pés
Tríduo Pascal homenageia heróis das chuvas em Juiz de Fora

Tríduo Pascal tem início com celebração e rito do lava-pés em Juiz de Fora

A Igreja da Glória, em Juiz de Fora, realizou, na Quinta-feira Santa, a tradicional Missa da Ceia do Senhor, marcando o início do Tríduo Pascal, o período mais importante do calendário cristão. Neste ano, o rito do lava-pés homenageou profissionais e voluntários que atuaram no socorro às vítimas das fortes chuvas que atingiram a cidade na última semana de fevereiro, tragédia que resultou em 66 mortos e milhares de desabrigados.

Homenagem a símbolos de esperança e empatia

Em vez da representação tradicional dos doze apóstolos, o altar recebeu rostos que se tornaram símbolos de esperança e empatia em meio à tragédia. Entre os homenageados estavam servidores da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, voluntários e profissionais de imprensa, como a repórter Maria Elisa Diniz, da TV Integração. "Acho que a gente atuou, nesses dias, a serviço das pessoas que passaram por muitas situações muito tristes. Foi difícil ver essa realidade. Mas, assim como no rito de hoje, que fala sobre serviço e humildade, acredito que esses dois valores devem guiar a nossa profissão. Então, nos colocamos com muita humildade a serviço dessas pessoas, para levar suas histórias, buscar ajuda e também não deixar que elas sejam esquecidas", disse a repórter.

Lista de homenageados e seus papéis

O objetivo da paróquia foi destacar os valores de fraternidade e doação demonstrados durante o período crítico vivido pela comunidade. Veja quem foram os homenageados:

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  • Voluntária Ângela Maria Rodrigues: atuou no recebimento, triagem, direcionamento e controle das doações na Equipe Glória.
  • Voluntária Aparecida Bassoli Machado: responsável pela captação e direcionamento de doações, com atuação principal no Jardim Esperança.
  • Acolhedora Vanessa Archanjo Marculino: diretora da Escola Municipal Fernão Dias Paes, coordenou o acolhimento de 13 famílias, com 48 pessoas e seis pets.
  • Tenente Tiago Augusto (Corpo de Bombeiros): atuou na linha de frente no bairro Paineiras.
  • Francisco de Assis Gomes Bergo (Defesa Civil): atuou na linha de frente e na avaliação técnica de imóveis.
  • Marly Cristina Virgiane Nazareth (Defesa Civil): atuou no setor administrativo e no acolhimento de bairros como Três Moinhos, Olavo Costa, Santa Rita e Linhares.
  • Maria Elisa Mendonça Diniz (TV Integração): atuou na cobertura jornalística da linha de frente.
  • Mariana Almeida de Medeiros: intermediou o envio de sete carretas de doações do Rio de Janeiro para Juiz de Fora.
  • Valdeci Marvila Araújo (Poleiro do Galo): destinou parte do faturamento do restaurante para a Campanha Glória.
  • Iracema Reis Matos Oliveira: mapeou necessidades e coordenou a logística de entrega de doações por meio dos grupos União do Bem Estar e Unidos para o Bem.
  • Emilly Cristine Gomes: residente do bairro Serro Azul, a família precisou deixar o imóvel.
  • Marta Alves Gomes: residente do bairro Paineiras, aguarda o laudo técnico referente ao Morro do Cristo.

Simbologia do gesto e conexão com a tragédia

O gesto de lavar os pés, realizado por Jesus antes da crucificação, é considerado o ápice da humildade no cristianismo. Ao realizar o rito com quem atuou na tragédia, a Igreja conecta o sofrimento das famílias atingidas pela chuva ao consolo e ao trabalho braçal de quem socorreu. "A gente quis ressaltar a dimensão do serviço de cada um que está representando os 12 Apóstolos, nas seguintes categorias: profissionais, serviço público, profissionais da imprensa e pessoas simples que fizeram sua doação. Todo mundo está representado nessas 12 figuras, nos 12 Apóstolos", explicou o padre Carlos Viol.

Outros elementos da celebração

Além do lava-pés, a celebração da noite de quinta-feira recordou:

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  1. A instituição da Eucaristia: a última ceia de Jesus com os apóstolos.
  2. A instituição do sacerdócio: o mandato do serviço ministerial.
  3. Traslado do Santíssimo: ao final da missa, a hóstia consagrada é levada para um lugar reservado, dando início à vigília e à oração silenciosa.

A iniciativa busca reconhecer o testemunho de solidariedade, serviço e cuidado com o próximo demonstrado durante o período crítico, conforme informou a Arquidiocese em nota. Este ato simbólico reforça a importância da comunidade e da fé em momentos de adversidade, unindo tradição religiosa e ação social em um gesto de profundo significado humano e espiritual.