Cidades históricas de Minas Gerais mantêm tradição secular das vias-sacras
Nas cidades históricas de Minas Gerais, fiéis católicos preservam com devoção a tradição centenária das vias-sacras, um ritual que marca a Semana Santa com profunda reflexão espiritual. Em Sabará, ainda antes do amanhecer, comunidades de fé já se reuniam em procissões silenciosas, onde o som característico não vinha dos sinos, mas das matracas, instrumentos que simbolizam o luto, o jejum e a contemplação deste período sagrado.
Transmissão de valores através das gerações
A professora Marina Monteiro compartilha a importância dessa herança familiar: "Aprendi com meu avô, estou passando para minha filha e para meus sobrinhos, porque coisa boa a gente tem que transmitir". Em Ouro Preto, as íngremes ladeiras coloniais se transformaram em cenários vivos onde moradores encenam passagens bíblicas como a Santa Ceia e a Via Crucis, revivendo com emoção o sofrimento e a morte de Jesus Cristo.
Congonhas: um espetáculo de fé e comunidade
Em Congonhas, o trabalho é intenso, mas recompensador. Geraldo Caleffi, chef de cozinha e ator, descreve: "É cansativo, mas é prazeroso demais. A gente doa todo o tempo para esse espetáculo que é maravilhoso". A cidade abriga o Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, que atrai visitantes de todo o país.
O biomédico Antônio Erickson Ribeiro, que viajou de São Paulo especialmente para o evento, expressa: "Saí de São Paulo para vir até aqui nesse período para sentir isso de perto. É muito emocionante, apazigua a alma mesmo". O ator Amaury Lourenzo, natural de Congonhas, retorna todos os anos para desempenhar um dos papéis mais marcantes de sua carreira, destacando: "Além da questão do entretenimento, tem a questão da espiritualidade. Independente de religião, é sobre amor".
Uma tradição que resiste ao tempo e ao clima
Quando a noite cai, a praça central de Congonhas se enche de fiéis, que mesmo sob a chuva, acompanham comovidos a encenação da paixão de Cristo. Esta tradição, mantida viva há mais de três décadas, continua a emocionar profundamente os participantes. Uma fiel presente resume: "É maravilhoso, muito triste, muito emocionante", capturando a essência desta experiência coletiva que une história, cultura e fé em um momento único de devoção e comunidade.



