Beth Goulart mergulha na dor e na transcendência de Maria na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
A renomada atriz Beth Goulart está vivendo um dos papéis mais desafiadores de sua carreira ao interpretar Maria no grandioso espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, que acontece no distrito de Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco. Em entrevista exclusiva, a artista compartilhou reflexões profundas sobre a personagem, enxergando nela uma força feminina capaz de representar todas as mulheres do mundo.
Maria como símbolo universal da maternidade e da dor
Para Beth Goulart, Maria transcende a figura bíblica para se tornar um ícone da experiência feminina. “Maria é o símbolo de toda a maternidade, de todas as mulheres do mundo”, afirmou a atriz, destacando que a construção da personagem passa por uma dimensão emocional extrema, intimamente ligada à perda. “Maria sente uma dor, a dor mais profunda que um ser humano pode sentir, que é a perda de um filho”, explicou.
A complexidade do papel, segundo ela, reside na maneira como Maria enfrenta esse sofrimento. “Ela perde esse filho aceitando a sua missão, aceitando a missão de seu filho e a sua própria missão de nos ensinar a sermos resilientes, a aceitarmos desígnios que são maiores do que nós”, disse Beth, enfatizando a mensagem de resiliência e propósito maior que a personagem carrega.
A cena da Pietá: o ápice emocional do espetáculo
Entre os momentos mais intensos da apresentação, Beth Goulart aponta a cena da Pietá, quando Maria recebe o corpo de Jesus após a crucificação, como a mais desafiadora emocionalmente. “Ali ela se despede do homem Jesus e recebe o espírito Jesus, recebe a transcendência de Jesus, mas ela não consegue passar por cima da dor, dessa imensa dor que é perder um filho”, relatou a atriz, descrevendo a sequência como um misto de dor humana e transcendência espiritual.
Diante de um público que chega a milhares no maior teatro ao ar livre do mundo, Beth descreve a experiência como coletiva e visceral. “As pessoas vivem junto conosco essa história. Parece que está acontecendo agora”, disse, ressaltando a importância de estar atento e confiante nas escolhas da vida, reflexão que a montagem provoca.
O poder transformador da arte e a atualidade da mensagem
Para Beth Goulart, a encenação vai além do entretenimento, reforçando o poder transformador da arte e a atualidade dos ensinamentos de Jesus. “Aqui nós estamos lembrando a sabedoria de Jesus, os ensinamentos de Jesus, e através da sua trajetória lembrarmos as pessoas que temos que ser mais amorosos, lembrar da simplicidade de Jesus, da nossa capacidade de fé”, afirmou.
A edição de 2026 do espetáculo, que segue até sábado (4), reúne um elenco estelar, incluindo Dudu Azevedo no papel de Jesus, Carlo Porto como Herodes e Marcelo Serrado como Pilatos. Com cerca de 450 atores e figurantes, a produção ocupa uma área impressionante de 100 mil metros quadrados, recriando cenários detalhados como o Fórum Romano e o Monte do Calvário.
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém não é apenas um evento cultural, mas uma experiência imersiva que convida o público a refletir sobre temas universais como amor, perda e resiliência, com Beth Goulart trazendo à tona a força silenciosa e profunda de Maria, uma figura que continua a inspirar gerações.



