Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta brilham em show 'Cores de Caymmi' no Rio de Janeiro
Show 'Cores de Caymmi' encanta com homenagem a Dorival Caymmi

Dupla musical reinterpreta obra de Dorival Caymmi com arranjos inovadores

O pianista Gilson Peranzzetta e a cantora Fabiana Cozza se uniram em sintonia perfeita para apresentar o show 'Cores de Caymmi', realizado no Espaço Cultural BNDES no Rio de Janeiro. O espetáculo, que marcou a abertura da temporada de 2026 do local, ofereceu ao público uma abordagem requintada e contemporânea das composições do mestre baiano Dorival Caymmi, falecido em 2008.

Interpretação que respeita a tradição sem perder a originalidade

A obra de Caymmi, frequentemente alvo de reinterpretações que buscam modernidade às custas de sua essência, encontrou em Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta intérpretes que souberam equilibrar reverência e inovação. Com 50 anos recém-completados, Fabiana demonstrou por que é considerada uma das mais talentosas cantoras da atualidade, enquanto Peranzzetta, que completará 80 anos em abril, mostrou toda sua experiência como arranjador e pianista.

Os arranjos criados por Peranzzetta para o trio formado por ele, Alexandre Cavallo (baixo) e Ricardo Costa (bateria) conferiram um tom jazzy a várias composições, como evidenciado na execução do samba 'Saudade da Bahia' (1957). No entanto, foi no canto de Fabiana Cozza que o espetáculo encontrou seu maior brilho, especialmente em momentos como a emocionante interpretação de 'Acalanto', canção de ninar composta em 1942.

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Momento a momento de um espetáculo memorável

O show foi aberto com uma suíte instrumental executada por Peranzzetta, que encadeou ao piano 'Dois de fevereiro' (1957), 'A lenda do Abaeté' (1948) e 'Canção da partida' (1957). Apesar de alguns momentos menos conectados com o público, como na execução instrumental de 'Marina' (1947), a entrada de Fabiana Cozza no palco transformou completamente a energia do espetáculo.

A cantora paulistana demonstrou estado de graça desde as primeiras notas de 'Você já foi à Bahia?' (1941), seguida por uma interpretação pessoal de 'Vatapá' (1944). Em números como 'Dora' (1945), Fabiana optou por uma abordagem mais suave e distante da intensidade característica de Nana Caymmi, filha do compositor que faleceu em 2025.

Outro destaque foi a reinterpretação solene de 'Morena do mar' (1967), quase como uma peça de câmara, e a emocionante execução de 'Canoeiro' (1944), onde os floreios vocais de Fabiana revelaram a ancestralidade afro-brasileira presente na obra caymmiana. O espetáculo foi encerrado com 'Samba da minha terra' (1940) e 'Maracangalha' (1956), este último com participação espontânea do público.

Reverência e contemporaneidade na música brasileira

Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta demonstraram que é possível abordar o cancioneiro de Dorival Caymmi com respeito à sua genialidade enquanto imprimem cores pessoais às interpretações. Seguindo o caminho aberto por Alice Caymmi, neta do compositor, a dupla conseguiu dessacralizar a obra sem profaná-la, oferecendo ao público do Espaço Cultural BNDES uma experiência musical sofisticada e emocionante.

O repertório completo apresentado em 5 de março de 2026 incluiu 16 músicas, desde clássicos como 'Doralice' (1945) até 'Serenata de São Lázaro' (2011) de Peranzzetta e Paulo César Pinheiro, com bis de 'Canto de Ossanha' (1966) de Baden Powell e Vinicius de Moraes. O show 'Cores de Caymmi' representa um marco na interpretação contemporânea da obra de um dos maiores compositores da música popular brasileira.

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