Roberto Carlos completa 85 anos com apresentação em sua cidade natal
Neste domingo, 19 de abril, o cantor Roberto Carlos celebra 85 anos de vida e carreira com um show em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, cidade onde nasceu em 1941. O artista, que é uma das figuras mais emblemáticas da música brasileira, fará a apresentação como parte de sua turnê atual, intitulada "Eu ofereço flores", que promove uma música inédita lançada em novembro de 2023.
Uma trajetória marcada por conservadorismo e sucesso
Roberto Carlos, frequentemente chamado de "Rei" pela memória nacional, possui um cancioneiro com 733 obras registradas no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Apesar de sua música sempre ter tocado o coração do povo brasileiro, o artista nunca foi plenamente reconhecido pela crítica e pela elite cultural do país na proporção de seu talento e contribuição.
Nos últimos 40 anos, Roberto adotou uma imagem cristalizada, com shows que seguem um padrão conservador tanto na música quanto na vida. Contudo, sua produção entre 1964 e 1983 é suficiente para garantir-lhe um lugar de honra no panteão da música brasileira. Suas canções, especialmente as da década de 1970, retratam um Brasil moralista, sentimental e sensual, refletindo as contradições de uma nação católica, com crescimento evangélico, e pretensamente liberal, mas muitas vezes favorável a retrocessos culturais.
Da Jovem Guarda às baladas românticas
Nos anos 1960, Roberto Carlos simbolizou a rebeldia juvenil como líder da Jovem Guarda, movimento pop que, embora contestador, foi rapidamente absorvido pelo sistema. Como "Rei da juventude", ele ajudou a mudar o comportamento dos jovens, mesmo mantendo códigos de moralidade intactos. Após o fim da Jovem Guarda, o cantor fez uma transição inteligente para o mundo adulto, flertando com soul e funk, mas investindo principalmente em baladas românticas, que se tornaram a tônica de sua obra nos anos 1970.
Nessa década, seu romantismo tornou-se mais sensual, sem afrontar a moral conservadora de seus fãs, e passou a incluir temas como fé católica, defesa do meio ambiente e incursões no repertório de compositores da MPB, como Caetano Veloso e Djavan. Roberto Carlos segue, em 2026, com extrema coerência ao tratar de amor, sexo e religião, mantendo-se fiel ao conservadorismo que, segundo alguns, foi o combustível para sua longevidade artística.
Legado e reconhecimento
Mesmo tendo perdido conexão com a juventude do século XXI, Roberto Carlos permanece como a voz de um país acomodado nas tradições. Sua voz excepcional, com afinação e emissão exemplares, poderia tê-lo estabelecido apenas como cantor, mas sua grandeza como compositor entre 1964 e 1983 solidificou seu legado. Por tudo isso, oferecer flores em vida a Roberto Carlos em seus 85 anos é um gesto merecido para um artista que merece todas as homenagens.



