Fãs e artistas reforçam importância da presença feminina no tecnomelody
No Dia Internacional da Mulher, artistas e fãs do tecnomelody, ritmo paraense que mistura brega tradicional com música eletrônica contemporânea, destacam o protagonismo feminino na cena musical. Elas estão presentes nas mesas de mixagem, nos palcos e também nas pistas de dança com os fã-clubes, demonstrando uma evolução significativa na representação de gênero.
O ritmo que conquista o Pará e além
Com uma melodia dançante e eletrônica, o tecnomelody transita entre batidas aceleradas e ritmos caribenhos, incorporando elementos regionais como o carimbó, o siriá e a guitarrada. O estilo, que une a tradição do brega paraense com a música eletrônica moderna, está presente nas festas de aparelhagem em todo o Pará, projetando artistas locais para o cenário nacional e internacional.
DJ Meury: pioneira e exemplo de superação
A DJ Meury é considerada um dos principais expoentes atuais do tecnomelody. A artista iniciou sua trajetória aos 15 anos, enfrentando desafios como machismo e preconceito no meio musical. Hoje, ela carrega conquistas notáveis, como ser a primeira mulher na produção do gênero, além de ter levado o ritmo para outros países e firmado parcerias com grandes nomes da música local.
"Fui cancelada no meio dos homens. Me odiavam porque eu estava começando a me destacar, até mais que eles, eu criava coisas diferentes. Machismo, né. Hoje em dia eles me respeitam", relata a artista, destacando a transformação na percepção sobre seu trabalho.
Evolução histórica do protagonismo feminino
De acordo com o músico e pesquisador Eduardo Barbosa, o protagonismo feminino na cena do tecnomelody passou a ser mais evidenciado a partir do final dos anos 90. Nesse período, surgiram bandas com mulheres como vocalistas principais, como Calypso, com Joelma, Tecnoshow, com Gaby Amarantos, e Fruto Sensual com Valéria Paiva.
"Existe uma crescente de mulheres no brega no sentido de protagonistas, estarem à frente, emplacarem canções atemporais. E que vai se destacar ainda mais no tecnomelody", afirma Barbosa, ressaltando a importância contínua dessa representação.
Fã-clubes e a força coletiva
Um exemplo entre os grupos que reforçam a força do estilo são os fã-clubes, como o grupo "Coelhetes", que possui 20 integrantes, sendo a maioria mulheres. O fã-clube guarda memórias de bons momentos vividos nas festas de aparelhagem e tem até uma música própria, "Coelhetes", que ganhou projeção na voz da cantora Rebeca Lindsay, também reconhecida como um dos grandes nomes do tecnomelody.
"A gente fazia muita música e Coelhetes, hoje em dia, é uma das músicas que não faltam em nosso repertório", explica uma integrante, destacando o papel dos fãs na disseminação do ritmo.
Rebeca Lindsay: paixão e dedicação
Rebeca Lindsay, outra artista destacada no cenário, compartilha sua trajetória: "Me apaixonei pelo tecnomelody nesses 20 anos de carreira". Sua contribuição tem sido fundamental para consolidar a presença feminina no gênero, inspirando novas gerações de mulheres na música.
Essa celebração no Dia Internacional da Mulher reforça não apenas a diversidade no tecnomelody, mas também a resiliência e criatividade das artistas que transformam desafios em oportunidades, enriquecendo a cultura musical paraense e brasileira.



