Fãs de Bad Bunny iniciam revezamento na fila do Allianz Parque para shows históricos
A expectativa para os primeiros shows de Bad Bunny no Brasil já tomou conta da cidade de São Paulo. Desde a noite de quinta-feira (19), fãs dedicados começaram a formar fila na porta do Allianz Parque, na Zona Oeste da capital paulista, em um verdadeiro ato de devoção ao artista porto-riquenho.
Revezamento e preparação para o calor
Entre os primeiros na fila está Romina Torrez Copra, uma jovem de 18 anos que viajou da Bolívia exclusivamente para assistir ao espetáculo. Ela e seu grupo de amigos chegaram ao local às 20h de quinta-feira e implementaram um sistema de revezamento para garantir suas posições na área da pista Premium.
"A emoção é enorme. Não podíamos perder essa oportunidade histórica", compartilhou Romina, que enfrenta o calor da manhã e tarde paulistana com a ajuda de guarda-chuvas e leques.
Shows esgotados e turnê significativa
Bad Bunny se apresenta em São Paulo nesta sexta-feira (20) e no sábado (21), com ambos os shows completamente esgotados. O artista de 31 anos traz ao Brasil sua turnê "DeBÍ TiRAR MáS FOToS", descrita como uma nostálgica carta de amor a Porto Rico que também critica a gentrificação e influência estrangeira.
Trajetória e impacto do artista
Por trás do fenômeno global está Benito Antonio Martínez Ocasio, que se consolidou como o maior artista do streaming mundial, sendo o mais ouvido no Spotify por quatro anos consecutivos (2020-2023). Após um breve período de turbulência e pausa para cuidar da saúde, Bad Bunny retornou com força total, reconquistando o topo das paradas em 2025.
Sua música combina elementos de reggaeton e trap, criando o que ficou conhecido como "trapeton" - um som que mescla rap soturno com vocais graves e pegada festiva, frequentemente abordando temas de desilusão amorosa com uma "sofrência" latina característica.
Estrutura dos shows e elementos culturais
Os espetáculos de Bad Bunny fogem da pirotecnia tradicional, optando por uma narrativa teatral dividida em atos bem definidos:
- Ato 1: Palco Principal - Com músicas como "La Mudanza" e "Callaíta"
- Ato 2: La Casita - Estrutura que recria uma varanda porto-riquenha para momentos de "perreo" puro
- Ato 3: Retorno ao Palco Principal - Encerramento com sucessos consagrados
O momento da "Casita" é especialmente significativo, transformando estádios em uma balada gigante com hits como "Yo Perreo Sola" e "Safaera", numa tentativa de levar a atmosfera de Porto Rico para plateias internacionais.
Discursos políticos e influências diversas
Bad Bunny mantém um discurso politizado, posicionando-se a favor dos direitos LGBT e contra políticas de imigração restritivas. Em "El Apagón", por exemplo, critica a crise energética e gentrificação em Porto Rico.
Suas influências musicais são variadas, indo do pop latino e rap até referências a Arcade Fire, Blink 182 e até mesmo um trecho de "Garota de Ipanema" em "Si Veo a Tu Mamá".
Visual desafiador e ascensão meteórica
O visual do artista - com unhas coloridas, óculos considerados femininos e estampas incomuns - já gerou polêmicas, como quando um salão na Espanha se recusou a pintar suas unhas em 2018, levando Bad Bunny a questionar nas redes sociais se o mundo "ainda estava em 1960".
Sua ascensão foi marcada por uma estratégia de onipresência em 2018, participando de mais de 50 músicas (entre faixas próprias e colaborações) em curto período, antes de consolidar-se com álbuns solo aclamados pela crítica.
Enquanto isso, no Allianz Parque, fãs como Romina e seus amigos continuam seu revezamento, aguardando com ansiedade os momentos que certamente entrarão para a história da música latina no Brasil.



