Três décadas sem o fenômeno: fã de Ribeirão Preto mantém viva a memória dos Mamonas Assassinas
Passados trinta anos do trágico acidente aéreo que ceifou a vida dos integrantes dos Mamonas Assassinas, um fenômeno musical dos anos 90 no Brasil, a saudade e a paixão pela banda permanecem intensas para muitos fãs. Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o vendedor André Paulim Barufaldi, de 44 anos, personifica essa devoção contínua, guardando não apenas recordações, mas também o sonho de reativar a banda cover que montou com amigos e que fez grande sucesso na região.
O legado musical: a banda cover que encantava eventos
André Barufaldi, que é tecladista, relembra com carinho os tempos em que sua banda cover dos Mamonas Assassinas se apresentava em festas particulares, bares, casamentos e diversos eventos locais. "A gente está até pensando em reativar ela novamente", confessa ele, destacando o esforço para recriar a energia única dos shows originais. "A gente procurava fazer um show o mais real possível, até com as roupas, para mostrar pra quem não conheceu, como era ir em um show dos Mamonas". A iniciativa, segundo ele, era uma forma de transmitir a alegria e a irreverência que marcaram a trajetória da banda.
Mamoníacos: o fã-clube que se tornou um dos maiores do Brasil
A paixão de Barufaldi pelos Mamonas Assassinas vai além das apresentações musicais. Aos 14 anos, na época do acidente, ele fundou um fã-clube que rapidamente ganhou proporções nacionais, os Mamoníacos. "Estavam chegando muitas cartas, vinha carta do Brasil inteiro", relata. O movimento foi tão expressivo que a própria produtora da banda entrou em contato com ele para oficializar o grupo, atendendo a uma enorme demanda de fãs. Até hoje, Barufaldi preserva recortes de jornais, revistas e registros de participações dos Mamonas em programas de televisão, testemunhando o impacto duradouro do grupo.
A tragédia que marcou a história da música brasileira
O acidente aéreo ocorreu em 2 de março de 1996, quando o jatinho que transportava a banda de volta de um show em Brasília, com destino a Guarulhos, colidiu contra a Serra da Cantareira, na zona Norte de São Paulo. Além dos cinco integrantes – Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli –, faleceram membros da equipe técnica, o piloto Jorge Luiz Germano Martins, natural de Orlândia (SP), e o copiloto Alberto Yoshiumi Takeda. Não houve sobreviventes, encerrando precocemente uma carreira que prometia ainda mais sucesso.
A memória que permanece: irreverência e alegria como legado
Para André Barufaldi, a palavra que melhor define os Mamonas Assassinas é irreverência. "Mamonas era muita alegria, uma coisa totalmente diferente que surgiu, um fenômeno da música brasileira", reflete ele, que sempre foi fã de rock nacional e apreciava a sonoridade e as letras criativas da banda. Sua história ilustra como, mesmo após três décadas, o legado dos Mamonas continua a inspirar novas gerações e a unir fãs em torno de uma memória coletiva de celebração e nostalgia.



