Caobe lança EP 'Eu Não Quero Que Essa Noite Acabe Nunca' com sonoridade híbrida e temática migrante
Caobe lança EP com pop psicodélico e tecnobrega nortista

Artista roraimense Caobe lança EP com sonoridade híbrida e temática de deslocamento

Nesta terça-feira (3), o cantor e compositor roraimense Caobe, de 29 anos, lançou o EP "Eu Não Quero Que Essa Noite Acabe Nunca", um trabalho autoral que combina pop psicodélico, música eletrônica e tecnobrega nortista. O projeto nasceu da necessidade do artista em expressar sensações e inquietações geradas por uma série de deslocamentos pelo território brasileiro.

Trajetória nômade e influências artísticas

Caobe deixou Roraima para trabalhar no Rio Grande do Sul, viveu a intensidade de São Paulo e, finalmente, se estabeleceu em Santarém, no Pará. Essa vivência "nômade", como ele mesmo descreve, permitiu que experimentasse diversas influências artísticas e gerou uma sensação de deslocamento que permeia todas as composições do EP.

"Me deslocando entre diferentes territórios, muitas vezes eu senti um certo 'não-pertencimento'. Porque aqui no Pará eu me sinto do Norte, mas, ao mesmo tempo, não é a mesma coisa. Roraima não tem o mesmo histórico de formação cultural e identitária daqui", explica o artista, que também integra o duo Pacu The Fish, do gênero "indie amazônico".

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Hibridismo sonoro e referências queer

Para dar forma a essas experiências, Caobe apostou no que chama de "hibridismo sonoro" e mergulhou em referências da cena pop e alternativa queer do Norte e Nordeste. Segundo o compositor, a paraense Jaloo e o piauiense Getúlio Abelha foram inspirações fundamentais para a sonoridade original do projeto.

A direção criativa do EP contou com a assinatura do artista roraimense Mateus Forte, reconhecido por trabalhos com cantoras como Doja Cat, Pabllo Vittar e Luiza Sonza, além da fotógrafa Tais Marques, responsável pelas imagens do lançamento.

A noite como refúgio e espaço de pertencimento

O título do trabalho reflete não apenas o medo das despedidas constantes que a vida de um migrante impõe, mas também a busca pela euforia. A estética noturna, simbolizada pela figura do morcego no projeto visual, serve como plano de fundo principal.

"Para pessoas LGBTQIA+, e outras pessoas que sofrem processos de marginalização, muitas vezes é na noite que elas conseguem encontrar algum pertencimento. E foi um pouco do meu processo também", destaca Caobe, enfatizando como o período noturno se tornou espaço para ser quem realmente é.

Estrutura musical e jornada emocional

O EP, gravado em Roraima e no Pará, é composto por três faixas organizadas para guiar o ouvinte por uma jornada completa:

  1. "Eu Não Quero Que Essa Noite Acabe Nunca" - Faixa-título com introdução íntima, trechos falados e batidas eletrônicas experimentais
  2. "Orquídeas Azuis" - Combina brega com elementos pop e eletrônicos para explorar memórias afetivas e amores do passado
  3. "Revelação" - Encerramento mais lento e espacial que aborda o medo da despedida com tom apocalíptico, refletindo angústias pós-pandemia

As composições foram criadas por Caobe Sousa em parceria com o músico roraimense Caíque Rodrigues (Molusco), com gravações de violão e contrabaixo por Rei Baleia e pós-produção do piauiense Led Johnson.

O EP "Eu Não Quero Que Essa Noite Acabe Nunca" já está disponível em todas as plataformas digitais de streaming, representando um marco na carreira do artista que busca traduzir em música as complexidades da experiência migrante e a busca por identidade através do som.

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