De 'Zunga' a Rei: Cachoeiro de Itapemirim celebra a história íntima de Roberto Carlos
Cachoeiro celebra história íntima de Roberto Carlos, o 'Zunga'

De 'Zunga' a Rei: Cachoeiro de Itapemirim celebra a história íntima de Roberto Carlos

Antes de conquistar o coração de milhões de fãs e se consagrar como um dos maiores nomes da música brasileira, Roberto Carlos era conhecido nas ruas de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, simplesmente como "Zunga". Um menino extrovertido, apaixonado por música e bastante popular entre os amigos de infância. Décadas depois, a cidade que viu nascer a lenda se prepara mais uma vez para celebrar o aniversário do Rei com um show especial, reunindo fãs e aqueles que acompanharam de perto cada passo de sua extraordinária trajetória artística.

O colega que presenciou o despertar de um talento

Aos 13 anos, Roberto dividia a sala de aula no Colégio Liceu Muniz Freire com Rogério Franzotti, hoje professor aposentado. As lembranças são de um garoto comunicativo, cheio de vida e com um dom musical já evidente. "Gostava de contar piada, era muito riso, muita alegria nos intervalos e na sala de aula também. Ele era uma pessoa extrovertida", recorda Rogério. Mesmo sem se destacar em todas as disciplinas, o boletim da época, guardado como uma relíquia, revela onde seu brilho era inquestionável: na música. "Ele sempre teve essa voz suave, essa voz que emociona. Sempre teve essa voz bonita. O Zé Nogueira, que era o professor de violão, já falava nota, ele já entendia de tudo", complementa o ex-colega.

O conservatório que moldou as primeiras notas

O Conservatório de Música de Cachoeiro preserva com carinho os registros da passagem do artista ainda criança. Fichas antigas, fotografias e documentos transformaram o local em uma espécie de museu dedicado ao Rei. Segundo a diretora Mariangela Contarini, o espaço recebe visitantes de diversas partes do Brasil, atraídos pela história. "Vem gente de vários estados só para conhecer onde ele estudou. É muito emocionante para a gente", afirma ela, destacando o orgulho da cidade em ter contribuído para a formação do ícone musical.

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A fé que ecoa em suas canções

Foi no colégio católico "Jesus Cristo Rei" que Roberto Carlos desenvolveu a profunda religiosidade que permeia muitas de suas composições, como "Nossa Senhora", "Jesus Cristo" e "Luz Divina". A escola mantém preservada a sala onde ele estudou, com móveis originais, além de um medalhão da congregação oferecido ao cantor como símbolo de fé, devoção e proteção. A Irmã Tamires, freira do colégio, compartilha: "Nós tivemos três irmãs que foram professoras dele. Nossa escola colaborou para que este rei, Roberto Carlos, se desenvolvesse. Nós o acolhemos e ele também lembra de nós com muito carinho".

Amizades que resistem ao tempo e à fama

Nas ruas de Cachoeiro, Roberto Carlos não é apenas uma estátua na praça; é um amigo querido, como define o médico Paulo Ney Viana, vizinho de infância. "A rua tem 200 metros, nós nos encontrávamos toda hora. A gente jogava bola, pião, pique-esconde, bola de gude", relembra com nostalgia. Mesmo após a consagração nacional, a amizade permanece sem formalidades. "Quando a gente se encontra, normalmente só sai besteira. Existe uma amizade que é revivida na hora do encontro. E aí a gente conversa livremente, sem formalidade", completa Paulo, evidenciando os laços genuínos que persistem.

Uma tradição doce que acompanha as comemorações

Desde 2009, uma tradição especial marca o aniversário do cantor em Cachoeiro: o bolo oficial da festa, preparado pela confeiteira Déia Cabelino. Ela guarda a receita em segredo, mas revela os sabores que agradam ao paladar do Rei: "Abacaxi, doce de leite, coco, e doce de leite de novo. O nosso bolo tem quatro recheios. Ele gosta muito, sempre elogia. Ele diz que bolo gostoso ele só come em Cachoeiro". Um detalhe afetivo que reforça a conexão do artista com suas origens.

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Cachoeiro: o lar eterno do Rei

Roberto Carlos deixou Cachoeiro de Itapemirim ainda jovem para buscar o sucesso no Rio de Janeiro, onde se tornou uma lenda da música popular brasileira. No entanto, para os moradores da cidade, ele nunca deixou de ser o menino que cresceu entre ruas simples, frequentou a escola, ouviu rádio e fez suas primeiras apresentações. Neste domingo (19), data de seu aniversário, Cachoeiro se prepara para reviver a tradição de celebrar o Rei em sua terra natal, relembrando a última apresentação, em abril de 2023, quando comemorou 82 anos. A história de "Zunga" permanece viva, um testemunho das raízes que continuam a inspirar sua música e a emocionar gerações.