Vila Isabel brilha em terceiro lugar no Carnaval 2026 com tributo emocionante
A Unidos de Vila Isabel quase alcançou o título de campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2026, mas terminou com honras na terceira posição do Grupo Especial. A escola desfilou na terça-feira, 17 de fevereiro, como a segunda agremiação a percorrer a Marquês de Sapucaí, apresentando o enredo "Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África", uma homenagem vibrante ao compositor Heitor dos Prazeres.
Homenagem a um pioneiro do samba
Heitor dos Prazeres, criador do termo "Pequena África" e um dos pioneiros na composição de sambas, foi amigo íntimo de Noel Rosa e mantinha profundas ligações com o bairro de Vila Isabel. O desfile utilizou os "sonhos" do artista como fio condutor, retratando como o samba ocupava um espaço festivo e comunitário em sua vida. O samba-enredo, interpretado por Tinga e composto por Andre Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho, explorou essa mesma ideia central, celebrando a fusão entre cultura afro-brasileira e a tradição do samba.
Trajetória histórica da agremiação
Fundada em 1946, a Unidos de Vila Isabel ascendeu ao Grupo Especial em 1966 e representa o bairro de Vila Isabel, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Com mais de setenta anos de história, a escola conquistou seu primeiro título em 1988 com o enredo "Kizomba, Festa da Raça", de Martinho da Vila. Posteriormente, sagrou-se campeã também em 2006 e 2013. Este terceiro lugar em 2026 marca um retorno significativo ao pódio após anos de espera, demonstrando a vitalidade e relevância contínua da agremiação no cenário carnavalesco.
Letra do samba-enredo de 2026
A letra do samba-enredo de 2026 é rica em simbolismo e referências culturais:
- Sonhei macumbembê, sonho samborembá – Macumba é samba, e o samba é macumba
- Pode até fazer quizumba, só não pode é separar – Sonho samborembá, macumbembê
- Vem da mãe-terra, firmou ponto na Bahia – E na África Pequena germinou pra florescer
- Ê, quilombo… é a Pedra do Sal – Arraigou em terreiro e quintal
- No chão batido assentou o fundamento – Foi o Lino de madrinha
- De padrinho, espelhamento – Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata
- Negro príncipe de ouro… O anjo de asas de prata – Um ogã-alabê, macumbeiro
- A fumaça do cachimbo, preto-velho soprou – Encanto da gira e da roda de bamba
- Poesia na curimba, batuqueiro e cantador – Foi do lundu e do cateretê
- Alinhou no linho santo, cavaquinho na mão – Apaixonado pierrot, afro-rei
- A flecha certeira de Oxóssi na canção – Reluz nas escolas, em Noel e Cartola
- Ganhou o mundo com o mundo de Paulo Brazão – De todos os tons, a Vila Negra é
- De todos os sons, a Negra Vila é – De China e Ferreira, Mocambo
- Macacos e Pau da Bandeira – Da nossa favela branca e azul do céu
- No branco da tela, o azul do pincel – Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel
- Ora yê yê ô, Oxum Kabecilê, Xangô – Meus sonhos e tambores, tintas e “prazeres”
- Pra você, Heitor – Vila Isabel
Esta composição não apenas homenageia Heitor dos Prazeres, mas também tece uma narrativa poética sobre as raízes africanas do samba e sua expressão na cultura carioca, reforçando o papel da Vila Isabel como guardiã dessa tradição.



