Sapucaí celebra cultura afro-brasileira com homenagens a Heitor dos Prazeres e Rosa Magalhães
Sapucaí celebra cultura afro-brasileira em desfiles emocionantes

Sapucaí celebra cultura afro-brasileira com homenagens a Heitor dos Prazeres e Rosa Magalhães

Na noite de terça-feira (17), a Marquês de Sapucaí foi palco de desfiles emocionantes que homenagearam figuras fundamentais da cultura brasileira e apresentaram tradições religiosas e movimentos artísticos em espetáculos de cores, música e história. As escolas de samba Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro levaram para a avenida enredos que celebraram a diversidade cultural do país.

Paraíso do Tuiuti apresenta a tradição oracular de Ifá

A Paraíso do Tuiuti entrou na avenida cantando as riquezas e os mistérios da tradição oracular de Ifá, uma religião de origem africana e cubana. O intérprete Pixulé, com sua voz marcante, conduziu o samba-enredo que reverenciou essa tradição religiosa ligada ao culto aos orixás. O historiador Luiz Antônio Simas explicou que o desfile representou uma ponte entre África, Caribe e Brasil, destacando a importância cultural dessa conexão.

A comissão de frente da escola fez uma reverência ao princípio criador Olodumare, enquanto a bateria Supersom, comandada por Mestre Marcão, misturou salsa e samba em uma apresentação vibrante. A rainha de bateria Mayara Lima roubou a cena com sua energia contagiante, deixando o público sem fôlego.

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Vila Isabel homenageia o multiartista Heitor dos Prazeres

Logo em seguida, a Vila Isabel desfilou com um enredo dedicado à negritude, à macumba e ao multiartista Heitor dos Prazeres. Macaco Branco, mestre de bateria da escola, destacou que a homenagem celebrava um legado fundamental no carnaval brasileiro. As fantasias pintadas à mão foram uma referência direta ao talento de Heitor nas artes plásticas, enquanto a escola relembrou sua contribuição como um dos fundadores das escolas de samba.

A porta-bandeira Dandara Ventapane ressaltou que a primeira bandeira com formato de raios foi criada por Heitor dos Prazeres. O desfile também contou com a presença especial de Martinho da Vila, que desfilou ao lado da bisneta de Tia Ciata, personagem histórica na criação do samba carioca.

Grande Rio leva o Manguebeat para a Sapucaí

A Grande Rio, escola de Duque de Caxias, viajou até o Recife para apresentar o movimento Manguebeat em seu enredo. No tom do roxo de Nanã, orixá do barro e da lama, a escola usou o luxo das fantasias para denunciar condições precárias, em uma crítica social embutida na alegria do carnaval. A vice-campeã de 2025 apostou no talento da bateria de Mestre Fafá, que teve uma estreante especial: a influenciadora digital Virgínia Fonseca.

Os caboclos de lança, figuras centrais do maracatu rural de Pernambuco, foram representados com elementos característicos como óculos escuros e a rosa branca, tradicionalmente levada na boca, mas adaptada para a mão durante o desfile para permitir o canto.

Salgueiro emociona com homenagem a Rosa Magalhães

A Academia do Samba fechou a noite com uma emocionante homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, única profissional a conquistar sete campeonatos na Sapucaí. O abre-alas de quase 70 metros foi um dos maiores que a escola já apresentou, iluminando a avenida com o tradicional vermelho encarnado salgueirense acrescido de toques rosas.

Com Viviane Araújo à frente, a Furiosa do Salgueiro fez uma paradona memorável para o solo de violino, enquanto o universo erudito da professora do carnaval foi ilustrado através de uma imensa biblioteca desfilando na avenida. Mesmo após seu falecimento em 2024, coube à mestra o dever simbólico de fechar as páginas de mais um carnaval inesquecível.

Os desfiles demonstraram como o carnaval carioca continua sendo uma plataforma poderosa para celebrar a diversidade cultural brasileira, honrando tradições ancestrais e figuras que moldaram a história dessa festa popular.

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