MinC investe R$ 38,9 milhões em cultura carioca com novos editais da Lei Aldir Blanc
Rio ganha R$ 38,9 milhões em editais da Lei Aldir Blanc

O Ministério da Cultura (MinC) anunciou um investimento de R$ 38,896 milhões para a cultura do Rio de Janeiro, por meio do ciclo II da Política Nacional Aldir Blanc. Este é considerado o maior aporte direto do governo federal em cultura na cidade.

Lançamento e detalhes do pacote de investimentos

O novo conjunto de editais foi apresentado publicamente na última sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, no Palácio Gustavo Capanema, no centro da capital fluminense. A cerimônia contou com a presença do secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, e do secretário municipal de Cultura do Rio, Lucas Padilha.

Em entrevista, Tavares destacou que os recursos serão distribuídos pela prefeitura em mais de 15 áreas diferentes. Entre as frentes de atuação estão o fomento direto a residências artísticas, a formação de plateias e o desenvolvimento do setor audiovisual. O secretário ressaltou que o pacote culmina em um edital para ações continuadas, beneficiando grupos, coletivos e atividades com atuação recorrente.

Primeira etapa e os editais específicos

A primeira fase de lançamento dos editais soma R$ 13,4 milhões. Os editais que compõem esta etapa e seus respectivos valores são:

  • Edital Mestre Bira Presidente: R$ 1 milhão
  • Apoio a Ações Locais Cineclubes: R$ 3,4 milhões
  • Ações Locais: R$ 3,2 milhões
  • Mediação e Formação de Plateia: R$ 3 milhões
  • Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual: R$ 300 mil
  • Produtos Culturais Fluxo Contínuo: R$ 800 mil
  • Prêmio João e Júlia do Rio: R$ 615,5 mil

Reconhecimento ao setor literário carioca

Um dos destaques do pacote é o Prêmio João e Júlia do Rio, uma iniciativa inédita. O secretário-executivo do MinC explicou que a homenagem reconhece pessoas que contribuíram para o mundo literário da cidade. O nome do prêmio faz referência a duas importantes figuras: João do Rio, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), e Júlia Lopes de Almeida, escritora e abolicionista que fez parte do grupo fundador da ABL, mas que teve seu nome excluído na primeira reunião por a instituição ser, à época, exclusivamente masculina.

O prêmio visa reconhecer livreiras, livrarias e demais profissionais do setor literário carioca. Tavares conectou a criação do prêmio ao título de Rio Capital Mundial do Livro, concedido pela UNESCO, lembrando que o Rio foi a primeira cidade de língua portuguesa a receber essa honraria. "Isso deixa como legado essas políticas que vão fortalecendo também a vocação do Rio de Janeiro para o livro, a literatura e a escrita", afirmou.

Estímulo à diversidade cultural

Para Márcio Tavares, o título de Capital Mundial do Livro e os novos investimentos são um grande estímulo para a cultura local. Ele argumenta que a diversidade cultural imensa do Rio exige uma resposta igualmente abrangente por parte do poder público. "É por isso que essa diversidade de editais, de linguagens e iniciativas contempladas agradou muito ao governo federal, porque busca dar abrangência, tanto territorial quanto de linguagem, necessária para responder a essa cidade que respira cultura", concluiu o secretário-executivo.