Carnaval de Olinda: moradores viram 'anjos da água' para refrescar foliões nas ladeiras
Moradores de Olinda dão banho de mangueira em foliões no carnaval

Carnaval de Olinda: moradores viram 'anjos da água' para refrescar foliões nas ladeiras

O carnaval parece desafiar as leis da física quando concentra uma multidão de foliões em cada metro quadrado das ladeiras históricas, elevando a sensação térmica a níveis quase insuportáveis. Diante do calor intenso que caracteriza o verão pernambucano, alguns moradores do Sítio Histórico de Olinda encontraram uma solução simples e solidária: oferecer banhos de mangueira diretamente dos muros, portas e varandas de suas residências.

Uma tradição que nasceu da compaixão

Na residência da família da administradora Camila Palácio, essa prática generosa já completa pelo menos oito anos. A iniciativa partiu de uma tia de Camila, que observava o sofrimento dos foliões que passavam exaustos pela frente de sua casa. "A gente percebia que as pessoas estavam precisando se refrescar por conta do calor excessivo. Surgiu então a ideia de jogar água neles, com o claro objetivo de beneficiá-los e aliviar o calor sufocante", explicou Camila.

Com o passar do tempo, os foliões, ao descobrirem que ali existia uma verdadeira "fonte" de água para combater a "fervura" do carnaval, começaram a transformar o local em um ponto de encontro consolidado. A tia que iniciou tudo ganhou até um apelido carinhoso do público agradecido: "tia Rose". "O nome verdadeiro dela não é Rose, mas o pessoal colocou esse apelido e a gente aceitou, virou uma referência", contou a moradora.

Ponto de encontro e cobrança dos foliões

De acordo com Camila, a interação com os foliões é tão intensa que, quando os moradores param momentaneamente de jogar água para trocar a pessoa responsável pelo "serviço", imediatamente ouvem cobranças: 'Ei, aqui, ó! Não para!'. A estudante Maria Eduarda de Lima, que frequenta o carnaval de Olinda com amigos, revelou que utiliza a casa da "tia Rose" como ponto de encontro há vários anos. "Todos os dias do carnaval eu bato ponto aqui, pois se tornou uma referência fundamental para nosso grupo. O banho de água refrescante foi o que nos atraiu inicialmente e nos mantém voltando", afirmou.

Solidariedade que se espalha pelas ladeiras

Outro morador de Olinda, Cleverson Lobo, também aderiu à prática de jogar água nos foliões motivado pelo calor intenso. "O pessoal para aqui e pede explicitamente para eu jogar água. É assim o dia inteiro durante o carnaval. Eu faço isso com prazer para refrescar o povo que está curtindo essa festa maravilhosa", declarou Cleverson. Essa atitude solidária não apenas alivia o desconforto térmico, mas também fortalece os laços comunitários durante uma das maiores celebrações culturais do país.

A prática dos banhos de mangueira em Olinda ilustra como gestos simples podem transformar a experiência do carnaval, criando oásis de refresco em meio à aglomeração e ao calor. Enquanto os foliões dançam e cantam, esses moradores assumem o papel de anjos da água, garantindo que a tradição carnavalesca seja vivida com mais conforto e alegria.