Mangueira divulga enredo para 2026 com foco na Amazônia Negra e Mestre Sacaca
A Estação Primeira de Mangueira, uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro, acaba de revelar seu enredo para o Carnaval de 2026. A agremiação, que encerrará os desfiles do domingo (15), está programada para entrar na Avenida entre 2h30 e 3h, trazendo uma narrativa profundamente enraizada na cultura e na natureza brasileiras.
O enredo: uma jornada pela floresta e pela memória
O tema escolhido é “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra”. A história começa na floresta amazônica, no Norte do Brasil, onde um ritual chamado Turé serve como ponto de partida. Este ritual é uma festa de agradecimento aos seres invisíveis e aos encantados que habitam entre os mundos.
É nesse contexto que surge Mestre Sacaca, descrito como o Xamã Babalaô do povo tucuju. Ele não é apenas uma figura do passado, mas um guardião vivo dos segredos da Amazônia Negra, presente na mata, nas águas, nos tambores e na memória coletiva de seu povo.
A viagem simbólica pela natureza e cultura
A Mangueira embarca em uma jornada guiada por Sacaca, aprendendo a escutar os ensinamentos da natureza. A viagem percorre os rios da região, navegando por afluentes, palafitas e comunidades diversas. Sacaca interage com povos indígenas, quilombolas, extrativistas e mulheres que trabalham com castanhas, observando o ritmo da maré e a dependência vital dos rios para trabalho, fé e vida.
Da água, a narrativa avança para a floresta, onde reside o poder da cura. Sacaca é retratado como um curandeiro que prepara garrafadas, chás, banhos e unguentos, utilizando sementes, cascas, folhas e flores. Seu saber combina planta e oração, ciência e encanto, herdado de ancestrais negros e indígenas e transmitido através de gerações.
A festa e a resistência na cultura afro-indígena
Os tambores então chamam, transformando a floresta em uma celebração vibrante. Troncos viram instrumentos, couro esquenta no fogo, e sons ecoam em ritmos como Marabaixo, Batuque, Sairé e Missa dos Quilombos. O sagrado dança, com a igreja virando terreiro e o terreiro se tornando rua, enquanto mulheres rodopiam e o povo canta em uníssono.
Sacaca está presente em todos os elementos: no mastro erguido, no cipó que amarra, no barro moldado por louceiras, no açaí que tinge mãos e bocas, na onça que vigia a mata e no amapazeiro que oferece sombra. Ele simboliza a floresta viva e a resistência de um Norte que cria e ensina.
O samba e a mensagem final
No encerramento do transe, compreende-se que Mestre Sacaca não partiu, mas se espalhou, tornando-se raiz, água, som e memória. A Mangueira leva para a avenida uma saga de cura, encantamento e resistência, celebrando a Amazônia afro-indígena e reforçando que, enquanto a floresta permanecer de pé, o encantado seguirá vivo.
O samba-enredo, intitulado “A magia do meu tambor”, foi composto por autores como Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal, com interpretação de Dowglas Diniz. A letra evoca elementos da cultura tucuju e a conexão da Mangueira com a região amazônica.
Ficha técnica e detalhes da apresentação
- Fundação: 28 de abril de 1928
- Cores: Verde e Rosa
- Presidente de Honra: Eli Gonçalves da Silva (Chininha)
- Presidente: Guanayra Firmino
- Carnavalesco: Sidnei França
- Direção de Carnaval: Dudu Azevedo
- Intérprete: Dowglas Diniz
- Mestres de Bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão
- Rainha de Bateria: Evelyn Bastos
- Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Olivério e Cintya Santos
- Comissão de Frente: Karina Dias e Lucas Maciel
Com este enredo, a Mangueira reforça seu compromisso com a valorização da diversidade cultural brasileira, prometendo um desfile emocionante e repleto de significados em 2026.