O tradicional bloco Loucura Suburbana coloriu as ruas do bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2025. Com uma história de 26 anos, o desfile marcou o encerramento da série de blocos dedicados à saúde mental no carnaval de rua deste ano, promovendo uma integração profunda entre pacientes, comunidade e foliões.
Integração e terapia através da folia
O objetivo central do Loucura Suburbana, assim como dos outros blocos similares, é integrar pacientes da rede municipal de saúde mental com as comunidades locais, vizinhanças e participantes de toda a cidade. Essas iniciativas funcionam como uma forma eficaz de terapia ocupacional, com oficinas de música, confecção de adereços e artesanato que antecedem os desfiles.
A produção dos desfiles é frequentemente realizada em oficinas vinculadas aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde os pacientes desenvolvem habilidades criativas e sociais. Essas atividades não apenas preparam os enredos, mas também fortalecem a autoestima e o senso de pertencimento dos participantes.
Enredo estruturado em três eixos fundamentais
O Loucura Suburbana apresentou um enredo cuidadosamente elaborado, baseado em três pilares principais: Baluartes, Território e Loucura. Esses eixos dialogam diretamente com a ancestralidade dos participantes, a identidade coletiva do grupo e a ocupação simbólica do espaço urbano, transformando as ruas em palco de expressão e resistência.
Os enredos desses blocos sempre ressaltam valores como inclusão, respeito e diversidade, utilizando a linguagem do carnaval para combater estigmas e promover a aceitação social.
Sequência de blocos da saúde mental no Carnaval 2025
O Loucura Suburbana foi o último de uma série de blocos focados em saúde mental a desfilar neste carnaval. A programação incluiu:
- Zona Mental: desfilou no dia 6 de fevereiro, no bairro de Bangu.
- Tá Pirando, Pirado, Pirou!: apresentou-se no dia 8 de fevereiro, na Urca.
- Império Colonial: realizou seu desfile em Jacarepaguá.
Esses blocos, cada um com sua identidade única, compartilham a missão de criar pontes entre o sistema de saúde mental e a sociedade, utilizando a alegria e a criatividade do carnaval como ferramentas de transformação social.
Contexto do carnaval carioca
O Rio de Janeiro terá um total de 238 blocos de rua entre a sexta-feira de carnaval e a Quarta-Feira de Cinzas, oferecendo uma vasta programação para todos os gostos. O pré-carnaval já havia agitado a cidade com mais de 100 blocos em um único fim de semana, demonstrando a vitalidade da festa popular.
O Loucura Suburbana, com sua concentração no Instituto Municipal Nise da Silveira – homenagem à pioneira da psiquiatria humanizada no Brasil – reforça o legado de cuidado e inclusão que caracteriza essas iniciativas. O desfile não é apenas uma celebração, mas um ato político de visibilidade e afirmação dos direitos das pessoas em tratamento de saúde mental.
