Homem conta foliões no carnaval de Olinda e vira tradição local
Toda terça-feira de carnaval, o vigilante Adonias Samuel sobe no muro da casa da irmã, localizada na Rua de Nossa Senhora de Guadalupe, em Olinda, para realizar uma contagem peculiar: ele conta os foliões que passam pelo local. Essa brincadeira, que começou em 2009, transformou-se em uma tradição no Sítio Histórico da cidade, com Adonias utilizando uma prancheta e caneta para fingir ser o contador oficial da folia.
Origem da ideia e adaptações ao longo dos anos
Adonias contou que a ideia surgiu há 25 anos, durante um almoço. "Pedi uma prancheta a minha esposa, mas não tinha. Então, ela me deu a ideia de pegar um papelão, um pedaço de papel e uma caneta. E eu fui contar", lembra. Nos primeiros anos, ele colocava uma cadeira no meio da rua para fazer a contagem, mas enfrentava problemas com a multidão durante a passagem de troças maiores, como o Ceroula e o Eu Acho é Pouco. Por isso, passou a preferir ficar de pé no muro da casa, garantindo uma visão melhor e mais segurança.
Método de contagem e interação com o público
O vigilante detalhou seu método: "Eu começo a contar na saída dos bonecos gigantes, que saem dali da Igreja de Guadalupe. Deixo passar uma boa quantidade dos bonecos e começo a contar. Depois, começam a passar as orquestras. Passa a primeira, passa a segunda. Na terceira, começo a contar". Adonias garante contar todo e qualquer folião que passe pelo local, e sua brincadeira já rendeu perguntas curiosas do público, como se ele estava contando "os cornos e os ursos". Ele brinca com os foliões, afirmando: "As pessoas perguntam: quantas pessoas têm? Deu quanto? E eu digo: na Quarta-feira de Cinzas, vocês vão ver na Globo".
Impacto e números do carnaval de Olinda
Em 2026, a prefeitura de Olinda estimou que mais de 4 milhões de foliões participaram do carnaval na cidade, destacando a grandiosidade do evento. A brincadeira de Adonias já virou uma tradição consolidada, atraindo atenção e tornando-se parte da cultura carnavalesca local. Sua persistência e criatividade mostram como pequenos gestos podem se transformar em símbolos da alegria e da identidade cultural de Olinda.



