Memórias emocionantes revivem último show dos Mamonas Assassinas em Dracena
Dois meses antes do trágico acidente aéreo que ceifou as vidas dos integrantes dos Mamonas Assassinas, em março de 1996, a cidade de Dracena, no interior de São Paulo, foi palco de um momento histórico que permanece vívido na memória de milhares de fãs. Três décadas depois, uma admiradora que conheceu a banda pessoalmente e a tia do vocalista Dinho compartilham lembranças tocantes desse encontro único.
Um encontro que marcou para sempre uma fã de nove anos
Em 10 de janeiro de 1996, uma quarta-feira inesquecível, os Mamonas Assassinas realizaram um show beneficente em Dracena para arrecadar fundos para a manutenção de uma escola local. O evento reuniu um público estimado em 14 mil pessoas, vindas de diversas cidades do oeste paulista. Entre a multidão, Adrielle Brito Cavalari, então com apenas nove anos, conseguiu realizar o sonho de muitos fãs: entrar no camarim e abraçar os integrantes, especialmente Dinho, seu ídolo favorito.
Adrielle, hoje com 39 anos, descreve com detalhes vívidos como conseguiu acesso ao backstage: "Comecei a chorar porque queria ver os Mamonas. Eles chegaram em uma viatura tipo camburão, foi uma muvuca e quase fui atropelada. O segurança me pegou no colo e fui passando de mão em mão até chegar no camarim". Ela relata que Dinho foi extremamente carinhoso e atencioso com ela e sua família, enquanto Samuel fazia cócegas e caretas para fazê-la rir, já que a menina não parava de chorar de emoção.
Lembranças que transcendem o tempo
A fã guarda na memória cada instante daquela noite: "Parece que passa um filme na minha cabeça, eu no meio da multidão e eles cantando. Tem uma música que saía umas faíscas nas costas do Dinho, isso era novo, nunca tinha visto. Fiquei encantada". Mesmo após trinta anos, a saudade permanece intensa: "Até hoje não consigo acreditar que eles se foram. Quando penso, dá um caroço na garganta. Eles eram jovens e tinham uma vida toda pela frente".
A notícia da tragédia que vitimou a banda em 2 de março de 1996, quando o jatinho que os transportava de Brasília para Guarulhos colidiu contra a Serra da Cantareira, chegou até Adrielle através de sua mãe. "Chorei muito quando veio a notícia oficial da morte deles. Minha mãe, tentando me consolar, falou: 'filha, eles eram pessoas muito boas, fizeram muitas pessoas felizes e agora eles foram para o céu cantar'", recorda emocionada.
A perspectiva familiar da tia de Dinho
Ivanilde Ramos Ribeiro, conhecida como tia Vania, irmã da mãe de Dinho, também estava presente no show de Dracena e compartilha suas próprias memórias afetivas. Aos 78 anos, ela descreve o sobrinho como "muito brincalhão" e "um menino de ouro". "Ele não podia ver ninguém quieto, porque ele mexia. Mas para ter ideia, ele foi criado no evangelho e, quando seguiu carreira, ele dizia: 'se Deus quiser, eu vou chegar lá' e chegou, né? Pouco tempo, mas chegou", afirma com orgulho misturado à tristeza.
A tia Vania acompanhava regularmente os shows da banda, incluindo apresentações em Sorocaba e Jundiaí, mas guarda um carinho especial pela noite em Dracena: "Foi muito gostoso. Isso daí não vai sair da minha memória nunca". Ela confessa que ainda hoje evita assistir a reportagens sobre o acidente: "Quando começa a passar na televisão, eu já mudo de canal ou, então, assisto chorando".
Um legado que permanece vivo
Anos após o show histórico, Adrielle e sua família visitaram Guarulhos, onde conheceram pessoalmente a tia Vania e prestaram suas homenagens no cemitério onde os integrantes dos Mamonas Assassinas estavam sepultados até janeiro deste ano, quando seus corpos foram exumados para a criação de um memorial dedicado à banda.
Adrielle reflete sobre a importância desse encontro: "Me sinto honrada em ter conhecido eles, foi um privilégio que muitos queriam ter tido. Sempre serei fã e meu grande amor era o Dinho". Essas memórias compartilhadas por fãs e familiares mantêm viva a chama dos Mamonas Assassinas, lembrando não apenas da tragédia que os levou, mas da alegria e energia que transmitiram a milhões de brasileiros durante sua breve, porém marcante, trajetória artística.



