Fé e História Brilham na 2ª Noite do Carnaval de Belém, Sob Chuva e Emoção
Fé e História Brilham na 2ª Noite do Carnaval de Belém

Fé e História Brilham na 2ª Noite do Carnaval de Belém, Sob Chuva e Emoção

O Carnaval de Belém chegou ao fim com uma celebração vibrante de cultura e tradição, marcada pelos desfiles das oito escolas de samba do Grupo Especial, divididos em duas noites na Aldeia Amazônica. Apesar da chuva persistente, o público lotou as arquibancadas, protegido por sombrinhas, para prestigiar agremiações que trouxeram enredos profundos, exaltando a fé popular, personalidades da Amazônia e a força da cultura regional. A apuração dos resultados está marcada para esta terça-feira (3), a partir das 18h, no mesmo local, definindo as campeãs e rebaixadas para a próxima temporada.

Primeira Noite: Abertura com Tradição e Resistência

A primeira noite, realizada na sexta-feira (27), foi aberta pela Xodó da Nega, que retornou ao grupo especial homenageando o bairro da Cremação com o enredo "Eu vou me banhar de manjericão nas terras da Cremação". Destaques incluíram amuletos de proteção como sal grosso e pimenta, além de baianas portando espadas de São Jorge para afastar o "olho gordo", reforçando elementos da cultura popular.

Em seguida, o Império Pedreirense prestou homenagem à cantora Nazaré Pereira com "Xapuri, Pará, Paris Ula La Mon Cheri!", resgatando a trajetória da artista de Icoaraci e as tradições musicais locais. Os Acadêmicos de Samba da Pedreira celebraram o bairro do Guamá como "solo sagrado", enfatizando memórias locais, fé popular e o samba como forma de resistência cultural. Já o Bole Bole focou na força da cultura popular paraense, destacando personalidades e tradições que marcaram a história do samba na região.

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Segunda Noite: Emoção Sob a Chuva Intensa

A segunda noite, no sábado (28), trouxe ainda mais emoção, mesmo sob chuva intensa. A União da Matinha, do bairro de Fátima, homenageou Dona Maria Padilha, a grande Pomba Gira da Umbanda, com sua história real como amante do rei de Castela e sua presença em religiões afro-indígenas. A comissão de frente apresentou bruxas ancestrais, caboclos, pretos-velhos e ciganas, criando um espetáculo visual impactante.

Os Boêmios da Vila Formosa de Icoaraci trouxeram um enredo sobre Santo Antônio, misturando milagre e folia com uma caravana de romeiros, carro de boi-bumbá (referência às festas juninas), trajes xadrez e chapéu de palha, culminando em um casamento na roça. A escola Quem São Eles realizou uma viagem por civilizações antigas, celebrando águas e navegantes, com destaques para o reino de Poseidon, Iemanjá como porta-bandeira, e uma ala das grandes navegações com caravelas portuguesas.

Por fim, a Deixa Falar resgatou 34 anos de história com o enredo "Minha vida é um carnaval", apresentando uma comissão de frente com Pierrô, Colombina e Arlequim, homenagens a escolas de Belém nos estandartes, e uma ala do papagaio, símbolo da agremiação.

Presenças Ilustres e Reforço à Cultura Local

O evento contou com a presença de celebridades como o mestre-sala Ciça, campeão no Rio; a ex-BBB Natália Deodato; os atores Samuel de Assis e Caio Manhente; e o renomado carnavalesco Milton Cunha, que comandou o Camarote Miltons. Cunha destacou a animação do povo de Belém, afirmando: "Paraense sabe fazer a festa. Povo de Belém animado. Temos que botar este desfile no calendário turístico brasileiro".

Os desfiles reforçaram a resistência e a paixão do carnaval paraense, demonstrando como a cultura local pode brilhar mesmo em condições climáticas adversas. Com enredos que mesclam fé, história e tradição, as escolas de samba de Belém provaram que o Carnaval da região é uma celebração única, capaz de emocionar e unir a comunidade em torno de suas raízes mais profundas.

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