Desfile das Campeãs reúne escolas do Grupo Especial na Sapucaí neste sábado
Desfile das Campeãs na Sapucaí reúne escolas do Grupo Especial

Desfile das Campeãs reúne escolas do Grupo Especial na Sapucaí neste sábado

A Marquês de Sapucaí recebe neste sábado (21) as seis escolas mais bem colocadas do Grupo Especial para o tradicional Desfile das Campeãs, um evento que acontece sem a pressão da avaliação dos jurados. A ordem de apresentação é inversa à classificação final, com a Estação Primeira de Mangueira, sexta colocada, abrindo a festa e a grande campeã, a Unidos do Viradouro, fechando a madrugada. Os ingressos para o espetáculo já estão completamente esgotados, demonstrando o enorme interesse do público por esta celebração pós-carnaval.

Ordem das apresentações na avenida

  • Mangueira (6º lugar)
  • Imperatriz Leopoldinense (5º lugar)
  • Acadêmicos do Salgueiro (4º lugar)
  • Unidos de Vila Isabel (3º lugar)
  • Beija-Flor (vice-campeã)
  • Viradouro (campeã)

Viradouro celebra quarto título com homenagem emocionante a Mestre Ciça

A noite promete atingir seu ápice máximo com a apresentação da Viradouro. A escola vermelha e branca de Niterói conquistou seu quarto título no carnaval carioca com o enredo "Pra cima, Ciça!", uma homenagem em vida ao carnavalesco Mestre Ciça. O desfile campeão foi construído como um verdadeiro roteiro cinematográfico, com momentos planejados milimetricamente para impacto emocional.

Já na comissão de frente, o público foi surpreendido quando o próprio Ciça surgiu entre os bailarinos, tirou seu figurino e se revelou sob os holofotes. Ao lado de sua versão mirim, ele reviveu sua própria trajetória antes de ser içado em um grande apito cenográfico que se transformava nos arcos da Apoteose. O desfile ainda incluiu uma encenação de mal-estar, saída estratégica da avenida e retorno triunfal à bateria - tudo calculado para máxima dramaticidade.

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A escola gabaritou todos os nove quesitos de avaliação e fechou com impressionantes 270 pontos válidos. O desfile também marcou o retorno de Juliana Paes como rainha de bateria após 18 anos de ausência, além de recriar a icônica imagem de 2007, com ritmistas desfilando sobre uma alegoria.

Beija-Flor transforma Sapucaí em ritual afro-brasileiro

Como vice-campeã, a Beija-Flor apresentou o enredo "Bembé", contando a história do Bembé do Mercado, cerimônia realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. A comissão de frente trouxe uma procissão de pescadores carregando um barco que se erguia na vertical, revelando a figura da Mãe da Água.

No abre-alas, rituais de purificação foram representados com beija-flores gigantes, máscaras ancestrais e referências às orixás Oxum e Iemanjá. Com carros alegóricos imponentes, a escola transformou a Sapucaí em um grande ritual de celebração das tradições afro-brasileiras, investindo mais de R$ 1 milhão em uma estrutura que se transformava em Iemanjá durante o desfile.

Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres

A Unidos de Vila Isabel buscou seu quarto título com um enredo em tributo ao multiartista Heitor dos Prazeres e sua relação profunda com a cultura afro-brasileira. A comissão de frente resumiu a vida do homenageado, misturando elementos de ateliê, religiosidade e samba em uma apresentação vibrante.

As cores características das obras de Heitor apareceram em todas as fantasias, inclusive nos jalecos pintados à mão da bateria. À frente dos ritmistas, Sabrina Sato desfilou com uma fantasia que pesava impressionantes 40 kg. O desfile também contou com a presença emocionante de familiares do artista e de lideranças tradicionais do samba carioca.

Salgueiro celebra Rosa Magalhães, maior vencedora da Sapucaí

O Acadêmicos do Salgueiro apresentou um enredo dedicado a Rosa Magalhães, a carnavalesca mais vencedora na história da Marquês de Sapucaí. A comissão de frente apostou em uma apresentação tradicional, com referências aos livros e à imaginação fértil da homenageada.

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O abre-alas trouxe um grande navio, simbolizando as viagens criativas de Rosa pelas diversas escolas em que atuou ao longo de sua carreira. A bateria desfilou fantasiada de piratas e teve como destaque um violino que ecoava sozinho durante algumas paradinhas estratégicas. À frente dos ritmistas desde 2008, Viviane Araújo fez mais um desfile como a rainha de bateria mais longeva do Grupo Especial.

Imperatriz leva enredo "Camaleônico" em homenagem a Ney Matogrosso

A Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida o enredo "Camaleônico", uma homenagem ao cantor Ney Matogrosso e sua carreira multifacetada. Um lobisomem gigante de 20 metros, inspirado na música "O Vira", chamou a atenção do público com suas dimensões impressionantes.

A comissão de frente utilizou truques de ilusionismo para representar as diferentes fases e transformações da carreira do artista. À frente da bateria, a cantora Iza encarnou uma serpente com um adereço especial que soltava fumaça durante a apresentação. O próprio Ney Matogrosso apareceu no último carro alegórico do desfile, emocionando os espectadores.

Mangueira homenageia Mestre Sacaca e saberes amazônicos

A Estação Primeira de Mangueira apresentou o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra", homenageando o líder afro-indígena conhecido como "Doutor da Floresta". Com elementos visuais impressionantes como onças que brilhavam no escuro e referências aos rios Oiapoque e Jari, a escola celebrou os saberes tradicionais amazônicos.

A rainha de bateria Evelyn Bastos trouxe elementos ligados ao marabaixo, ritmo tradicional do estado do Amapá. Apesar de um incidente no final do desfile, quando um carro alegórico bateu na base do monumento da Praça da Apoteose e precisou ser desmontado para liberar a dispersão, a escola conseguiu concluir sua apresentação dentro do tempo regulamentar estabelecido.

O Desfile das Campeãs representa o ponto final da temporada carnavalesca no Rio de Janeiro, reunindo as melhores escolas do Grupo Especial para uma última apresentação sem a pressão competitiva, mas com todo o esplendor e emoção que caracterizam o maior espetáculo da Terra.