Chita: o tecido que se tornou símbolo do Carnaval tradicional de São Luiz do Paraitinga
O colorido vibrante da chita invade cada canto do Carnaval de São Luiz do Paraitinga, considerado o mais tradicional do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. Quem se prepara para curtir a folia na cidade já sabe: o tecido de algodão com estampas florais e cores intensas funciona como um verdadeiro elo entre todos que desejam aproveitar o ritmo contagiante das marchinhas.
Esse material, que em outros tempos era utilizado como estofado de sofás e capas de almofadas, transformou-se em uma das marcas registradas mais emblemáticas dessa festa popular. Praticamente, a chita assumiu o papel de "abadá" oficial do Carnaval de marchinhas, unindo gerações em uma explosão de alegria e tradição.
Origens da tradição que completa quatro décadas
A história dessa tradição carnavalesca remonta ao início dos anos 1980, quando um dos primeiros blocos da cidade, o Bloco do Agrião, decidiu inovar. Os organizadores tiveram a ideia de utilizar o tecido nas roupas da ala infantil, dando início a um costume que se perpetuaria por gerações.
Hoje, a presença da chita é absoluta. Roupas, acessórios, prendedores de cabelo, chapéus e até mesmo as caixinhas de alto-falante são adornados com as estampas características. E, é claro, os looks infantis continuam sendo uma homenagem viva às origens dessa prática encantadora.
O entusiasmo dos foliões e o impulso econômico local
Pela quinta vez desfrutando do Carnaval em São Luiz, a secretária executiva Telma Nastre celebrava a folia usando uma saia longa de chita, repleta de tons azuis vibrantes. Ela já planejava ampliar seu acervo pessoal. "Cada vez que a gente vem, a gente quer comprar mais coisa de chita. Porque enfeita! Enfeita a cidade, todo mundo se veste de chita, então empolga a gente se vestir assim, caracterizado como todo mundo pro Carnaval!", declarou com animação.
É justamente com essa explosão de cores que os blocos tomam as ruas e, consequentemente, o comércio local experimenta um movimento significativo. A empresária Helena dos Santos, com quatro décadas de experiência no ramo de tecidos em São Luiz, revela que as vendas ocorrem durante todo o ano, mas é no Carnaval que a chita realmente "bomba" em popularidade.
"A gente faz o ano inteiro e depois vai guardando pra quando chegar nessa época vender! A gente começou com a chita e foi pra frente, e virou tradição!", afirmou ela, destacando a importância econômica e cultural desse tecido para a região.
Com uma expectativa de receber cerca de 80 mil pessoas durante os dias de folia, o Carnaval de São Luiz do Paraitinga não apenas preserva uma tradição encantadora, mas também fortalece a identidade cultural e impulsiona a economia local, provando que a chita é muito mais do que um simples tecido—é a alma colorida de uma festa inesquecível.
