Carnaval 2026 em São Paulo: Segurança melhora, mas organização falha com superlotação e cortes
Carnaval SP 2026: Segurança avança, mas organização falha

Carnaval 2026 em São Paulo: Balanço entre avanços na segurança e falhas na organização

O carnaval de rua de São Paulo em 2026, promovido como "o maior carnaval do Brasil" pelo prefeito Ricardo Nunes, chegou ao fim com a cantora Daniela Mercury desfilando com o bloco Pipoca da Rainha pela Rua da Consolação, no centro da capital paulista. O evento, que durou oito dias, atraiu aproximadamente 16,5 milhões de pessoas e contou com 627 blocos espalhados pela cidade, desde megablocos com atrações como Ivete Sangalo, Pabllo Vittar e Pedro Sampaio até blocos menores de bairro, segundo estimativas da prefeitura.

O que deu certo: Segurança reforçada e grandes atrações

Na percepção dos foliões, o carnaval deste ano foi mais seguro, com uma queda de 16% no número de roubos e furtos de celulares. Entre 13 e 17 de fevereiro, a capital registrou 2.088 casos, uma média de 17 aparelhos levados por hora, comparado a 2.506 ocorrências em 2025. Durante a folia, mais de 70 celulares foram recuperados, e 94 pessoas foram presas por crimes como furto e roubo. O policiamento incluiu agentes à paisana e fantasiados, como policiais vestidos de Minions que prenderam suspeitos.

São Paulo se consolidou como um destino atrativo para o carnaval, reunindo grandes atrações musicais. Ivete Sangalo participou pela primeira vez da folia paulistana, atraindo 1,2 milhão de foliões no pré-carnaval do Ibirapuera. Outros artistas, como Michel Teló, Pabllo Vittar e Léo Santana, animaram 11 circuitos de megablocos pela cidade.

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Economicamente, o carnaval injetou cerca de R$ 3,8 bilhões nos setores de alimentação e hospedagem, um aumento de 10% em relação a 2025, segundo a Federação de Hotéis e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp).

O que não deu certo: Problemas de infraestrutura e organização

Apesar dos pontos positivos, a organização do carnaval de rua sofreu com um corte de R$ 12 milhões no orçamento, reduzindo o investimento de R$ 42,5 milhões em 2025 para R$ 30,2 milhões em 2026. Isso impactou diretamente a infraestrutura, com a redução na contratação de banheiros químicos de 24 mil para 16 mil diárias. Foliões relataram longas filas e banheiros sujos, alguns inutilizáveis devido à capacidade máxima de armazenamento, como flagrado pela equipe de reportagem no bloco Vou de Táxi.

A superlotação foi um problema grave, especialmente no bloco do DJ Calvin Harris na Rua da Consolação, onde dezenas de pessoas passaram mal e tentaram buscar rotas de fuga sem sucesso, devido aos gradis que criavam corredores fechados. Especialistas criticaram o confinamento de multidões em espaços estreitos, sem rotas de escape, e o uso de gradis metálicos considerados perigosos.

Outros desafios incluíram:

  • Valor baixo do fomento: Apenas 100 dos 627 blocos receberam apoio financeiro de até R$ 25 mil cada, totalizando R$ 2,5 milhões, valor considerado insuficiente pelos organizadores para cobrir despesas com infraestrutura e segurança.
  • Excesso de ambulantes: Quinze mil vendedores se cadastraram, com relatos de condições precárias, como acampamentos improvisados e falta de banheiros no circuito do Ibirapuera.
  • Truculência policial: Incidentes de violência foram registrados, incluindo um vídeo que mostra policiais militares agredindo um homem no Ibirapuera e o uso de gás lacrimogênio pela Guarda Civil Metropolitana para dispersar um bloco no Butantã.

Em resposta, a prefeitura justificou as adequações na infraestrutura para otimizar a operação, sem prejuízo ao padrão da festa, e destacou a redução nos preços dos banheiros químicos. No entanto, os foliões e organizadores destacam que, enquanto a segurança avançou, a organização deixou a desejar, refletindo os cortes orçamentários e a falta de planejamento adequado para um evento de tal magnitude.

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