Escolas de samba do Amapá abrem carnaval com enredos sobre petróleo e crendices populares
Carnaval do Amapá: escolas abrem com petróleo e crendices

Carnaval do Amapá inicia com desfiles que celebram a identidade regional

As escolas de samba Embaixada de Samba Cidade de Macapá e Emissários da Cegonha abriram oficialmente os desfiles do grupo de acesso no Sambódromo de Macapá, na noite de sexta-feira, 13 de fevereiro. Tradicionalmente, essas agremiações carregam para a avenida enredos profundamente conectados à regionalidade e à rica cultura do Norte do Brasil, oferecendo um espetáculo que vai além da folia e mergulha nas raízes locais.

Embaixada de Samba explora o "ouro negro" da Foz do Amazonas

A Embaixada de Samba Cidade de Macapá iniciou seu desfile por volta das 21 horas, apresentando o enredo "O Ouro negro é o meu tesouro da margem Equatorial". A proposta foi uma discussão audaciosa sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e o impacto econômico potencial dessa atividade para o Estado do Amapá. Cada ala da escola representou um eixo específico da exploração, com ênfase no petróleo como o "ouro negro" que emerge das águas, simbolizando a promessa de um futuro próspero.

O enredo também incorporou referências às religiões de matriz africana, com a Orixá Iemanjá aparecendo na ala das baianas para simbolizar a proteção sagrada dos rios. Um dos carros alegóricos mais impressionantes representava uma plataforma de petróleo, destacando a infraestrutura necessária para essa atividade. A intenção era levar o público a imaginar como esse trabalho poderia ser realizado na Costa do Amapá, caso os projetos de exploração avancem.

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As formigas, símbolo tradicional da escola, surgiram como figura central do enredo, reforçando a ideia de que o desenvolvimento petrolífero só é possível através da união e do trabalho coletivo — um princípio que guia tanto a natureza quanto as comunidades retratadas na avenida.

Contratempos técnicos marcam apresentação da Embaixada

Apesar da riqueza temática, a escola enfrentou desafios logísticos durante o desfile. Um tripê e um carro alegórico apresentaram problemas significativos: um deles pegou fogo, exigindo a intervenção imediata dos bombeiros, enquanto outro não conseguiu sair da área de concentração. Disney Silva, diretor da agremiação, explicou emocionado que os incidentes foram causados pelo excesso de peso dos carros. "Não tivemos tempo suficiente para testar os carros na rua, o que nos prejudicou bastante. Mas Deus sabe de todas as coisas", afirmou.

Emissários da Cegonha brincam com sorte e azar na sexta-feira 13

Já a escola Emissários da Cegonha levou para a avenida o enredo "Uma fascinante viagem pelas crendices e superstições de um povo: sorte ou azar". A agremiação aproveitou a coincidência de desfilar em uma sexta-feira 13 para brincar com o imaginário popular, revisitando lendas e costumes típicos do Norte do Brasil. Cerca de 1.330 brincantes participaram da apresentação, que foi marcada por alas que encenaram histórias vibrantes da cultura regional.

Um dos carros alegóricos destacou o "livro da vovozinha", em homenagem às pessoas mais velhas, consideradas guardiãs de saberes ancestrais. A comissão de frente apresentou uma mistura criativa de regionalidade com elementos encantados, com duendes abrindo caminho para a Cegonha, conduzindo o público diretamente ao coração do enredo.

Em outro momento, um carro alegórico reuniu símbolos icônicos como o olho gordo, o gato preto e a própria sexta-feira 13. A proposta era explorar como, dependendo das crenças, esses elementos podem atrair sorte ou azar, apresentando essa dualidade como parte integrante da cultura e das tradições do povo nortista.

Preparação e emoção nos bastidores

Marlon Goes, membro da comissão carnavalesca da Emissários da Cegonha, revelou que o enredo foi pensado logo após o carnaval do ano anterior. "Por que não falar de sorte e azar? Nosso enredo valoriza profundamente a cultura nortista e lembra a importância crucial dos nossos ancestrais, como as vovós e os pretos velhos", explicou.

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Lucimar Bonfim, paraense que desfila há três anos na ala das baianas da escola, compartilhou sua emoção ao representar as vovós neste carnaval. "Eu amo o carnaval e espero que o desfile seja incrível. Sou avó, então representar essa figura está sendo profundamente emocionante. Imagino meus netos me vendo assim", brincou, visivelmente comovida.

Continuação dos desfiles e acesso gratuito

As apresentações do grupo de acesso continuam neste sábado, 14 de fevereiro, com as escolas Solidariedade e Império da Zona Norte, a partir das 20 horas. O acesso ao Sambódromo de Macapá permanece gratuito para todos os espectadores, garantindo que a magia do carnaval possa ser vivenciada por toda a comunidade.