Carnaval de Belo Horizonte bate recorde com 6,5 milhões de foliões em 2026
Carnaval de BH bate recorde com 6,5 milhões de foliões em 2026

Do vazio ao auge: a transformação do Carnaval de Belo Horizonte

Imagens históricas revelam uma mudança radical na Praça Sete durante o Carnaval de Belo Horizonte entre 2007 e 2026. A capital mineira, que já foi sinônimo de marasmo durante os dias de folia, estabeleceu um novo marco em 2026: 6,5 milhões de foliões celebraram nas ruas, consolidando BH como um dos principais destinos carnavalescos do Brasil.

Das respostas de "nada" ao apagão carnavalesco

Até o início dos anos 2000, Belo Horizonte ficava praticamente deserta durante o Carnaval. Um registro da Rede Minas de 1990 capturou o sentimento da época: quando questionadas sobre o que fazer na cidade durante a festa, as respostas incluíam "nada", "sair de Belo Horizonte" e "sumir da cidade".

Em 1989, uma forte chuva causou estragos e levou a prefeitura a suspender as comemorações. A década de 1990 foi marcada por um apagão carnavalesco, com falta de incentivo do poder público, reforçando a imagem de sossego e marasmo da capital mineira nesse período.

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A virada: ocupação urbana e proibição que gerou movimento

A transformação começou em 2009, quando músicos se reuniram de forma improvisada na Região Centro-Sul. O objetivo era ocupar o espaço urbano. Em dezembro daquele ano, um decreto do então prefeito Marcio Lacerda proibiu eventos na Praça da Estação, uma das principais da cidade.

A resposta veio em 2010 com o movimento Praia da Estação, que impulsionou o desejo de ocupação das vias públicas. Desde então, o Carnaval de BH só cresceu em tamanho e diversidade.

Números impressionantes: blocos, transporte e hospedagem

Segundo dados oficiais da Prefeitura de Belo Horizonte, o Carnaval de 2026 contou com mais de 600 blocos de rua cadastrados, oferecendo opções para todos os públicos, gostos e idades. O crescimento foi exponencial:

  • 2013: 70 blocos
  • 2014: 140 blocos
  • 2018: 403 blocos
  • 2025: mais de 500 blocos

O transporte também registrou recordes. O Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (Tergip) recebeu 152.258 passageiros, alta de 2,6% em relação a 2025. No Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, o movimento de passageiros internacionais cresceu 18,5%, saltando de 7.500 para 8.887 viajantes.

A hotelaria da capital mineira atingiu média de ocupação de 85,62%, chegando a 92,3% no fim de semana — superando o pico de 90,2% registrado em 2025.

Artistas de renome nacional e tradição preservada

A folia de BH agora atrai grandes nomes da música brasileira. Em 2026, apenas o bloco da Marina Sena reuniu cerca de 400 mil pessoas, segundo a prefeitura. A capital mineira recebeu ainda apresentações de Luísa Sonza, Xamã, Clayton e Romário, Michel Teló e Nattan.

A tradição também se mantém com os desfiles das escolas de samba de BH, uma disputa de brilho, cor e melodias que neste ano coroou a Estrela do Vale como grande campeã.

De cidade deserta a epicentro da folia, Belo Horizonte vive uma revolução carnavalesca que reflete não apenas números recordes, mas uma nova identidade cultural que atrai foliões de todo o país.

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