Carnaval 2026: Escolas da Série Ouro homenageiam mulheres e ancestralidade na Sapucaí
Carnaval 2026: Série Ouro celebra mulheres e ancestralidade

Carnaval 2026: Escolas da Série Ouro homenageiam mulheres e ancestralidade na Sapucaí

O segundo dia da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro, realizado no sábado, 14 de fevereiro de 2026, foi marcado por uma celebração vibrante da cultura brasileira, com oito escolas de samba apresentando enredos que destacaram figuras femininas, ancestralidade afro-brasileira e temas sociais inovadores. A avenida Marquês de Sapucaí testemunhou desfiles que uniram arte, resistência e tradição, em uma noite de forte impacto emocional e cultural.

Botafogo Samba Clube abre com homenagem a Roberto Burle Marx

A Botafogo Samba Clube iniciou as apresentações com o enredo O Brasil que floresce em arte, uma homenagem ao renomado paisagista Roberto Burle Marx, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres. A escola elegeu Wenny Isa, de 16 anos, como rainha de bateria, irmã da cantora Lexa, que já desfilou na Sapucaí aos 11 anos como coroada da Unidos do Bangu. A escolha de Wenny reforçou a presença jovem e familiar no carnaval.

Em Cima da Hora celebra pombagiras com Maryanne Hipólito

A Em Cima da Hora entrou na avenida com a nova rainha de bateria Maryanne Hipólito, de 27 anos, e o enredo Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!, uma homenagem às pombagiras, figuras femininas da umbanda e candomblé. O carnavalesco Rodrigo Almeida explicou que o tema foi proposto pelo patrono Vinícius e visa desmistificar a imagem negativa associada a essas entidades. "Mostrar que Pombagira não é má, ela só cometeu um crime, que foi nascer mulher", afirmou Rodrigo, destacando a luta contra a vilipendiação feminina.

Arranco do Engenho de Dentro homenageia palhaçada com Anikk Salmon

A Arranco do Engenho de Dentro fez história ao contar com a carnavalesca Anikk Salmon, que desenvolveu o enredo A gargalhada é o Xamego da Vida, em tributo a Maria Eliza Alves dos Reis, uma mulher que dedicou sua vida à arte da palhaçada. Giselle Farias retornou como rainha de bateria, representando a ousadia de Maria Eliza, em uma apresentação que misturou humor e emoção.

Império Serrano exalta Conceição Evaristo com Quitéria Chagas

A Império Serrano prestou um tributo à escritora Conceição Evaristo, uma voz potente da literatura negra brasileira. Quitéria Chagas, de 45 anos, continuou como rainha de bateria, posto que ocupa há mais de uma década, simbolizando a força e a persistência das mulheres negras na cultura.

Estácio de Sá celebra Tatá Tancredo com Vivi Wilker

A Estácio de Sá celebrou a vida e trajetória de Tatá Tancredo, conhecido como "Papa Negro", um pai-de-santo umbandista que uniu samba e religião. O enredo Tata Tancredo – o Papa Negro no Terreiro do Estácio foi desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo. A influenciadora fitness Vivi Wilker, de 34 anos, estreou como rainha de bateria, trazendo modernidade à agremiação.

União de Maricá destaca balangandãs com Rayane Dumont

A União de Maricá destacou os balangandãs, adornos afro-brasileiros, como símbolos de resistência das mulheres negras. O tema foi pensado por Leandro Vieira, carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense. Rayane Dumont, de 27 anos, rainha de bateria desde 2020, liderou a apresentação, enfatizando a beleza e a história desses artefatos culturais.

Porto da Pedra inova com enredo sobre profissionais do sexo

A Porto da Pedra trouxe um enredo único e inovador: Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite, que exaltou as profissionais do sexo com acolhimento e respeito. Desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes e o enredista Diego Araújo, o tema abordou o sagrado e profano dessas mulheres marginalizadas. Andrea Andrade, de 39 anos, conhecida como musa das "supercoxas", representou a agremiação como rainha de bateria.

Unidos da Ponte encerra com baile funk e Thalita Zampirolli

Encerrando a Série Ouro, a Unidos da Ponte transformou a Sapucaí em um baile funk com o enredo Tamborzão – O Rio é Baile! O poder é black!, que mergulhou nas raízes da cultura das favelas cariocas. A ideia foi desenvolvida pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves e pelo enredista Cleiton Almeida. Thalita Zampirolli, de 36 anos, estreou como rainha de bateria, marcando uma nova fase para a escola.

Em resumo, o segundo dia da Série Ouro do Carnaval 2026 destacou-se pela diversidade temática e representatividade, com escolas utilizando a avenida para celebrar mulheres, cultura afro-brasileira e questões sociais, em uma demonstração de como o samba pode ser uma ferramenta poderosa de expressão e transformação.