Beija-Flor de Nilópolis alcança vice-campeonato no Carnaval do Rio de 2026
A tradicional escola de samba Beija-Flor de Nilópolis garantiu a segunda colocação no Carnaval do Rio de 2026, realizado no último dia 16 de fevereiro. A agremiação, que já possui um histórico impressionante de quinze títulos de campeã, desfilou com o enredo 'Bembé', uma homenagem profunda à cultura e resistência negra no Brasil.
Enredo celebra tradição ancestral e resistência cultural
O tema escolhido pela Beija-Flor para o Carnaval 2026 focou no Bembé do Mercado, considerada a celebração de candomblé de rua mais antiga e significativa de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. Esta festividade ocorre anualmente no dia 13 de maio, data que marca mais de 60 terreiros de religiões de matriz africana se reunindo em um ato de fé e memória.
A comemoração teve início em 1889, logo após a assinatura da Lei Áurea, servindo como um marco de visibilidade para a história e luta da população negra no país. O enredo da escola enfatizou valores como resistência, fé e a riqueza cultural herdada dos ancestrais, trazendo para a avenida um espetáculo de cores, sons e emoções.
Histórico de vitórias e legado no sambódromo
Com este vice-campeonato, a Beija-Flor reforça sua posição como uma das escolas mais vitoriosas da era do sambódromo. Seus quinze títulos foram conquistados nos anos de:
- 1976, 1977, 1978
- 1980, 1983
- 1998
- 2003, 2004, 2005, 2007, 2008
- 2011, 2015, 2018
- 2025
Este desempenho consolida a agremiação como uma potência no cenário do carnaval carioca, sempre inovando e mantendo viva a essência do samba.
Samba-enredo de 2026: um hino à liberdade e ancestralidade
O samba-enredo apresentado pela Beija-Flor neste ano é uma verdadeira obra poética que ressoa a força da cultura afro-brasileira. Com versos como "Não me peça pra calar minha verdade / Pois a nossa liberdade não depende de papel", a letra exalta a luta por reconhecimento e respeito.
A música faz referências diretas a elementos sagrados do candomblé, como João de Obá, considerado um griô sagrado, e saudações às nações da religião. A batida do atabaque e a menção a orixás como Yemanjá e Oxum criam uma atmosfera mística e poderosa, convidando o público a se conectar com as raízes ancestrais.
O refrão "Deixa girar que a rua virou Bembé" simboliza a transformação do espaço público em um local de celebração e resistência, onde a fé e a cultura se manifestam com intensidade. A Beija-Flor, mais uma vez, demonstrou sua capacidade de unir arte, história e emoção em um desfile memorável.



