ANAC questiona Portela sobre drone tripulado na comissão de frente do Carnaval
ANAC questiona Portela sobre drone tripulado no Carnaval

ANAC questiona Portela sobre uso de drone tripulado durante desfile do Carnaval

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) enviou um ofício oficial tanto para a escola de samba Portela quanto para a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) após um homem "voar" em um drone gigante durante a apresentação da comissão de frente da agremiação no Carnaval carioca. Em nota pública, a agência reguladora deixou claro que "é proibido transportar pessoas, animais e artigos perigosos usando drones", alertando que "o equipamento não foi desenvolvido para essa finalidade e pode causar acidentes, inclusive, fatais".

Exigências da agência reguladora

A ANAC solicitou formalmente que a Portela forneça uma série de informações técnicas e documentais dentro do prazo de dez dias úteis. A lista de exigências inclui:

  • Modelo específico do equipamento utilizado
  • Número de série do drone
  • Comprovação de registro do equipamento junto à ANAC
  • Dados completos do piloto remoto responsável pela operação da aeronave

Até o momento da publicação desta reportagem, tanto a Portela quanto a Liesa não se manifestaram oficialmente sobre o questionamento da agência reguladora. Vale destacar que, logo após o desfile, o carnavalesco da escola, André Rodrigues, apresentou seu pedido de demissão do cargo.

O momento inovador que chamou atenção

Durante a apresentação da comissão de frente, um tripé de apoio se abriu de forma espetacular, permitindo que um integrante, montado em um superdrone iluminado e equipado com uma máscara característica, decolasse e sobrevoasse os demais bailarinos. Na narrativa desenvolvida pela escola, este momento representava a redenção do Negrinho do Pastoreio, que após uma vida repleta de provações se transformava no príncipe herdeiro da coroa de Bará.

"A gente quis trazer o drone para poder fazer o negrinho voar, porque ele se liberta", explicou a coreógrafa Cláudia Mota em entrevista. O público presente na Marquês de Sapucaí aplaudiu intensamente a inovação da Águia, com quem estava nas frisas e nos degraus mais próximos à pista relatando ter sentido claramente a potência das hélices do equipamento durante a apresentação.

Significado artístico e cultural da apresentação

Dividida em quatro atos distintos, a comissão de frente da Portela apresentou seu enredo através do diálogo entre o orixá Bará e o Negrinho do Pastoreio, personagens centrais que conduziram a narrativa da escola. Na encenação, Bará, reconhecido como senhor dos caminhos no Batuque gaúcho, solicita ao Negrinho que encontre uma história perdida na névoa do tempo.

O menino retorna com a trajetória inspiradora de Príncipe Custódio, importante liderança religiosa que, segundo a rica tradição afro-gaúcha, organizou o Batuque no Rio Grande do Sul e se tornou símbolo permanente de resistência negra no estado. A apresentação mostrou de forma artística:

  1. A chegada histórica de Custódio ao sul do país
  2. Sua atuação religiosa e política transformadora
  3. O assentamento sagrado de Bará no Mercado Público de Porto Alegre

A partir deste ponto crucial, a narrativa destacou a formação das nações do Batuque e a consolidação definitiva da religião como expressão autêntica de identidade e sobrevivência da população negra gaúcha. "Energizado pela dança dos orixás e ancorado pelo assentamento de Bará por parte do Príncipe Custódio, o Batuque rompe fronteiras. É nesse momento que o Negrinho do Pastoreio retorna. Encantado, fica para trás o sofrimento e a lembrança da perda dos cavalos", detalha a sinopse oficial da apresentação.