Jornal português revela que Prestianni admitiu insulto racista a Vinícius Júnior
De acordo com o jornal português Correio da Manhã, o jogador argentino Gianluca Prestianni teria confessado a colegas de clube que chamou o brasileiro Vinícius Júnior de "mono", termo que significa "macaco" em espanhol, durante o jogo entre Benfica e Real Madrid na terça-feira, dia 17, válido pela Champions League. A notícia foi divulgada na tarde desta quinta-feira, dia 26, gerando imediata repercussão no meio esportivo e além.
Benfica nega veementemente as acusações contra o atleta
Pouco mais de uma hora após a publicação, o Sport Lisboa e Benfica emitiu um comunicado oficial desmentindo categoricamente o fato. O clube afirmou que Prestianni não comunicou ao plantel ou à estrutura ter proferido um insulto racista contra Vinícius Júnior. Na nota, o Benfica destacou que o jogador pediu desculpas aos colegas pelo incidente ocorrido durante a partida, lamentando a dimensão e as consequências do mesmo, e garantiu a todos, desde o primeiro momento, que não é racista.
Novos detalhes reforçam versão inicial do insulto racista
Apesar do desmentido oficial, novos detalhes divulgados pelo veículo reforçaram a versão inicial. Segundo o canal de televisão do Correio da Manhã, um dos líderes de audiência em Portugal, Prestianni teria assumido a ofensa a Vinícius Junior "desde a primeira hora", em reunião com colegas de equipe, ao mesmo tempo que negou ser racista. A emissora relatou que o jogador explicou aos colegas que o insulto teria saído "no calor da discussão", como resposta a algumas provocações durante o jogo.
Episódio ganha dimensão institucional e esportiva significativa
O episódio, porém, extrapolou o ambiente interno dos clubes e ganhou uma dimensão institucional considerável. Vinícius Júnior denunciou a ofensa durante a partida, o que levou o árbitro a acionar o protocolo racista, interrompendo o jogo. As consequências foram imediatas e abrangentes:
- A denúncia impulsionou uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos que pode endurecer a lei portuguesa contra discriminação, caso seja aprovada na Assembleia da República.
- No campo esportivo, a Uefa, entidade que rege o futebol europeu, iniciou uma investigação sobre o caso.
- Prestianni foi punido com um jogo de suspensão por "violação prima facie", termo jurídico que sugere que, com as provas disponíveis até agora, a Uefa considera que a ofensa racista pode efetivamente ter acontecido.
Provas testemunhais e precedentes históricos no futebol europeu
As principais provas são testemunhos de jogadores, com a mais eloquente sendo a entrevista do francês Kylian Mbappé logo após a partida. O atacante, que estava próximo a Vinícius e Prestianni durante as altercações, afirmou ter ouvido a ofensa "mono" por cinco vezes. Até agora, não apareceram gravações de vídeo ou áudio que registrassem a infâmia racista, mas, de acordo com a jurisprudência da Uefa, provas testemunhais podem ser suficientes para sancionar um jogador por racismo.
Há precedentes recentes que ajudam a contextualizar o caso, como em 2021, quando o tcheco Ondrej Koudela proferiu ofensas racistas contra um adversário. Como Prestianni, ele foi suspenso por um jogo por "violação prima facie" e, após investigações, recebeu dez jogos de suspensão em competições europeias, perdendo a Eurocopa pela seleção da República Tcheca.
Benfica mantém apoio público a Prestianni apesar das investigações
Mesmo com o avanço das investigações, o Benfica manteve apoio público ao atleta. Desde o início do caso, o clube vem defendendo Prestianni, soltando uma nota inicial dizendo que "apoia e acredita plenamente na versão do jogador". Mesmo suspenso, Prestianni viajou com o Benfica a Madrid para a partida de volta do mata-mata, na quarta-feira, dia 25, em uma demonstração clara de que o clube endossava plenamente seu jogador. O Benfica perdeu e acabou eliminado, com o gol da vitória sendo marcado por Vinícius Júnior.
Penalidades previstas para racismo no futebol internacional
O artigo 14 do Código Disciplinar da Fifa prevê, para jogadores que perpetram ofensas racistas, suspensões de pelo menos dez jogos ou por um período específico, além de outras medidas disciplinares apropriadas. Clubes também podem ser punidos em caso de negligência ou cumplicidade com atos de racismo, com o Código Disciplinar prevendo multas severas, que podem chegar a 5 milhões de francos suíços (aproximadamente R$ 34 milhões), realização de jogos com portões fechados, perda de pontos, ou exclusão de competições.



