Flamengo lidera articulação em Brasília por imunidade tributária para clubes associativos
Flamengo articula em Brasília por imunidade tributária para clubes

Flamengo lidera movimento por igualdade fiscal para clubes associativos em Brasília

O Clube de Regatas do Flamengo intensificou sua campanha por mudanças na legislação tributária que afeta entidades esportivas sem fins lucrativos. Nesta terça-feira (24), uma comitiva rubro-negra esteve em Brasília para uma série de reuniões estratégicas com lideranças políticas do governo e da oposição.

Comitiva de peso com Zico e entidades esportivas

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, liderou a delegação que contou com a presença do ídolo Zico, ex-Ministro do Esporte e atual embaixador do clube. A comitiva também incluiu o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta, e o presidente do Comitê Brasileiro de Clubes, Paulo Maciel.

A primeira parada foi na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, onde foram apresentados os principais argumentos em defesa dos clubes associativos. Em seguida, o grupo se reuniu com o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, e com representantes da oposição no Senado Federal.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Proposta de Emenda à Constituição em discussão

Durante os encontros, foi apresentada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa garantir imunidade tributária para atividades esportivas desenvolvidas por entidades sem fins lucrativos. A iniciativa busca reverter vetos da Reforma Tributária que eliminaram isenções fiscais anteriormente concedidas a essas organizações.

A comitiva foi recebida ainda pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, que se comprometeu a levar o tema diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Movimento "Amigo do Esporte" ganha força

Bap criou o movimento "Amigo do Esporte" para mobilizar apoio político às causas dos clubes associativos. A principal reclamação é a desigualdade tributária entre clubes associativos e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Enquanto os associativos pagam cerca de 11% em tributos, as SAFs têm alíquotas de apenas 6%.

"O Flamengo não vai pagar daqui a seis anos R$ 200 milhões, R$ 230 milhões por ano de imposto para poder estar nessa situação", afirmou Bap em entrevista à Flamengo TV. "É uma escolha muito simples. Você faz a escolha, paga muito menos e continua tentando investir em atletas como Paquetá."

Impacto no esporte olímpico brasileiro

O dirigente alertou sobre as consequências diretas das mudanças tributárias para os esportes olímpicos. Segundo ele, o aumento da carga tributária já resultou no corte de investimentos em modalidades como canoagem e judô, com a não renovação de contratos de atletas como Isaquias Queiroz e Rafaela Silva, além do fim do remo paralímpico.

Propostas concretas do Flamengo

As reivindicações do clube se dividem em duas frentes principais:

  1. Reforma Tributária
    • Curto Prazo: derrubar vetos para igualdade imediata com SAFs e restabelecer isenções fiscais
    • Médio Prazo: diferenciar clubes associativos sem fins lucrativos com alíquotas reduzidas ou zeradas
  2. PL Anti-Facção - Setor de Apostas
    • Curto Prazo: derrubar emendas que criam a CIDE Bets e impostos retroativos
    • Médio Prazo: articular apensamento ao PL 2985/2023 para blindar patrocínio máster

Ano eleitoral e mobilização política

Com as eleições de outubro se aproximando, Bap fez um apelo direto aos eleitores: "Nós estamos lançando essa campanha Amigo do Esporte. Esse é ano eleitoral no Brasil. Você que é um amante de esporte, procure se informar sobre seus candidatos. Nós vamos ter os candidatos que apoiam os esportes e são amigos do esporte."

O Flamengo preferiu não revelar quais candidatos específicos apoiam o movimento, mantendo o foco na causa geral de defesa do esporte brasileiro.

A articulação em Brasília representa um esforço coordenado para garantir segurança jurídica e sustentabilidade financeira aos clubes que formam atletas, mantêm projetos sociais permanentes e reinvestem integralmente seus recursos no desenvolvimento esportivo do país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar