Copa Catuaba: Agricultores do Oeste Paulista Mantêm Viva a Tradição do Futebol de Várzea Rural
O trabalho no campo começa antes do amanhecer e se estende por longas horas, mas isso não impede os agricultores da região de Indiana, no Oeste Paulista, de trocarem o boné e a bota pelo meião e a chuteira. Aos sábados, a rotina exaustiva das lavouras dá lugar à paixão pelo futebol, em uma tradição que une gerações na várzea rural.
Família Kuhn: Três Gerações Unindo Agricultura e Esporte
Neto, filho e bisneto de agricultores, Guilherme Kuhn personifica essa dualidade. Enquanto cuida da propriedade rural da família durante a semana, aos fins de semana ele veste a camisa do time Sete Copas de Indiana, atuando como atacante. "Já venho de umas três gerações e eu também segui na produção. A gente faz o que ama", afirma Guilherme, destacando o orgulho de manter viva a herança familiar tanto no campo quanto nos gramados.
Segundo o engenheiro ambiental Carlos Kuhn Faccioli, a família Kuhn é tricampeã rural, um título que reflete não apenas a habilidade esportiva, mas a dedicação coletiva. "Tem jogador de todos os municípios aqui que participam junto com a gente, levamos a sério mesmo", comentou Carlos, enfatizando o espírito competitivo que reina nos jogos.
O Campeonato que Mobiliza a Região
Os encontros esportivos ocorrem todos os sábados e, de acordo com os participantes, são disputados com a intensidade de uma final. Cerca de 20 equipes da região se reúnem para participar do campeonato de várzea rural, criando uma rede de camaradagem e rivalidade saudável entre comunidades agrícolas.
O diretor do Sete Copas, Vitor Negrizoli, participa das partidas desde os 12 anos e explica a origem do nome da equipe: "O pessoal que era daqui do bairro Sete Copas, depois abrangeu o pessoal de Indiana, alguns de Prudente, mas sempre dando prioridade para quem trabalha no campo". Essa filosofia garante que o torneio mantenha suas raízes rurais, mesmo com a crescente participação.
Da Roça à Arbitragem Profissional
Outro membro da família Kuhn que se destaca é Hermínio Kuhn Daldem, que cresceu jogando futebol ao lado do pai e do avô na várzea rural e hoje é árbitro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sua trajetória ilustra como a paixão pelo esporte pode abrir portas para carreiras profissionais.
"Eu entrei na educação física por conta da influência do futebol, então eu sempre gostei de esporte e parti para essa área. Lá dentro apareceu a oportunidade de trabalhar com arbitragem. Surgiu o curso, fui fazendo e estou seguindo até hoje", relatou Hermínio. Em 2018, ele se tornou árbitro pela Federação Paulista de Futebol, alcançando o título oficial da CBF em 2025.
Com experiência em partidas das Séries A2, A3 e da Bezinha do Campeonato Paulista, em cidades como Araraquara e Campinas, Hermínio prefere não apitar jogos em Indiana. "Apitar de amigos é mais difícil, né? Apitar em casa é mais complicado, então deixa para os outros fazerem esse papel aí", justificou, demonstrando o respeito pelos laços comunitários.
Um Legado que Ultrapassa Gerações
A tradição do futebol de várzea rural em Indiana vai além do entretenimento; ela fortalece identidades, preserva histórias familiares e promove a integração social entre trabalhadores do campo. Enquanto o sol se põe sobre as plantações, o som do apito e o rastro da bola no gramado ecoam como testemunhos de uma cultura que resiste ao tempo, unindo passado, presente e futuro em cada chute.



