Brasil chega aos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 como candidato real ao pódio
Brasil nos Jogos de Inverno 2026: delegação recorde busca medalhas

Brasil chega aos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 como candidato real ao pódio

A delegação brasileira desembarcou na Itália para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 com um status inédito e promissor: o de quem realmente briga por medalhas. Em entrevista exclusiva, o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta, detalhou a operação de ponta montada para dar suporte aos 14 atletas classificados, um recorde histórico para o país em edições de inverno.

Mudança de patamar no cenário internacional

A cerimônia de abertura, realizada nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, marcou oficialmente o início de um ciclo em que o Brasil deixa de ser apenas um participante exótico para se tornar um competidor respeitado no evento que segue até 22 de fevereiro. As estruturas implementadas na Itália incluem a estreia da Casa Brasil em uma edição de inverno, numa estratégia cuidadosamente planejada para ampliar a marca do país no cenário do gelo e da neve.

"É uma expectativa muito grande. Sabendo que os Jogos Olímpicos são sempre uma competição à parte, há muitos fatores envolvidos, particularmente emocionais, mas estamos muito confiantes", afirmou La Porta, demonstrando otimismo com a preparação da equipe.

Foco nas principais modalidades promissoras

O dirigente sabe que as principais chances de medalha se concentram em modalidades específicas:

  • Skeleton, com destaque para Nicole Silveira
  • Esqui alpino, liderado por Lucas Pinheiro Braathen
  • Snowboard, com atletas em evolução constante

La Porta vê com bons olhos o rótulo de "intruso" tropical entre as potências do Hemisfério Norte, como Estados Unidos, Canadá e países europeus. Segundo ele, a evolução brasileira é vista com simpatia e respeito pelos adversários.

"Na verdade, eles não brincam, eles parabenizam e ficam muito felizes com a presença desse intruso. São poucos países tropicais - acho que hoje Brasil, Jamaica e México - que têm um pouquinho mais de frequência. E nunca um país tropical teve tanta oportunidade de ganhar uma medalha", avaliou o presidente do COB.

Consistência dos atletas impulsiona suporte logístico

Essa mudança de patamar é impulsionada por nomes como Nicole Silveira, no skeleton, e Lucas Pinheiro Braathen, no esqui alpino. O presidente do COB destaca a consistência desses atletas como o motor que obriga a entidade a elevar o nível do suporte logístico.

"Quando você vê o Lucas e a Nicole mostrando grandes resultados, isso provoca, cutuca o COB para que a entrega da operação seja ainda mais precisa", disse La Porta, enfatizando a relação direta entre performance e investimento em estrutura.

Detalhes operacionais que fazem a diferença

Nos esportes de inverno, a margem de erro é mínima. No skeleton, por exemplo, uma curva mal traçada pode custar milésimos de segundo e, consequentemente, o pódio. La Porta adota um mantra para a gestão dessa pressão: a eficiência operacional não ganha a medalha sozinha, mas evita que ela seja perdida.

"Como a gente costuma falar sempre: a gente não trabalha para pegar a medalha, a gente trabalha para não perder a medalha. Então, atenção a cada um dos detalhes", pontuou o dirigente, revelando a filosofia por trás da preparação.

A regularidade de Lucas Braathen, que figurou no "top 5" nos últimos sete eventos internacionais, e a ascensão de Nicole Silveira nas provas que antecederam os Jogos sustentam o otimismo da entidade. Além da performance esportiva, a presença institucional foi reforçada significativamente.

Casa Brasil como hub de calor humano

A Casa Brasil funcionará como um hub de "calor humano" em meio ao frio europeu, servindo não apenas como ponto de encontro para a delegação, mas como vitrine estratégica para patrocinadores e autoridades.

"Trazer um pouquinho do calor para esse pessoal que é um pouquinho mais frio", brincou La Porta, confirmando que a cúpula do COB permanecerá na Itália durante todo o evento para dar suporte integral à delegação.

Lucas Braathen, que tem 20 medalhas em etapas do esqui alpino da Copa do Mundo (sendo 8 pelo Brasil desde que passou a representar o país em 2024, após deixar a Noruega), aposta em sua multiplicidade técnica e experiência internacional para vencer nos Jogos de Inverno. Esta combinação de fatores cria um cenário inédito para o esporte brasileiro em competições de inverno.