O cineasta português Pedro Pinho apresenta O Riso e a Faca, um épico de mais de três horas e meia que aborda as marcas do colonialismo e as consequências da luta por libertação nos países lusófonos. O filme, premiado com o prêmio de melhor atuação feminina na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2025, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 30, distribuído pela Vitrine Filmes.
Enredo e personagens
A trama acompanha o engenheiro ambiental português Sérgio (Sérgio Coragem), que vai à Guiné-Bissau para realizar uma análise para a construção de uma rodovia. Lá, ele conhece o brasileiro Gui (Jonathan Guilherme) e a enigmática Diara (Cleo Diára), meio guineense, meio cabo-verdiana. Desse triângulo amoroso surge um drama que explora as complexidades das relações neocoloniais.
Inspiração e processo criativo
Em entrevista, Pinho revela que sua experiência na África foi fundamental para o filme. “A primeira vez que fui ao continente africano foi a trabalho, filmando um documentário sobre imigração. Isso me levou à Mauritânia, Guiné-Bissau e outros países. Percebi as contradições que minha presença como europeu levantava”, conta.
O título do filme é uma referência à canção homônima de Tom Zé, que inspirou todo o processo de escrita. “A música brasileira é uma constante na minha vida. Tom Zé ilustra as inquietações dos personagens”, afirma Pinho.
Colonialismo e libertação
Pinho destaca que o filme não é apenas sobre neocolonialismo, mas também sobre a possibilidade de emancipação. “Queria que o filme refletisse a história da colonização e da independência, que é moral e politicamente mais importante para mim.”
Uma cena mostra um personagem africano negando que Gui seja negro, argumentando que ele é branco por não ser nativo da África. Segundo o diretor, essa dinâmica é real e observada em brasileiros que vão à Guiné-Bissau em busca de ancestralidade.
Duração e ritmo
Pinho defende a longa duração do filme, questionando a percepção de tempo do público. “As pessoas passam horas no Instagram, mas acham um filme de duas horas longo. O ritmo é mais importante que a duração.” O filme tem uma versão integral de cinco horas e meia, que ainda não será exibida no Brasil.
O Riso e a Faca é uma coprodução entre Portugal, Brasil e Guiné-Bissau, e já percorreu festivais internacionais, consolidando-se como exemplo de colaboração entre países.



