Clayton e Romário revelam desejo de parceria com o trap
Em entrevista recente ao g1, a dupla sertaneja Clayton e Romário expressou o interesse em colaborar com artistas do trap, subgênero do rap. Romário destacou a importância de mesclar os dois segmentos musicais, que são muito queridos pelo público. "Vamos pegar o sertanejo e levar um pouco para um outro lado. E vamos também pegar o trap ali, que é de uma moçada muito nova, e trazer para ouvir também o sertanejo. Acho que é importante essa renovação acontecer sempre em todos os segmentos", afirmou o cantor.
Romário revelou que já tentou encontrar a música ideal para a parceria, mas ainda não obteve sucesso. "Já pedi para uns compositores, mas até então não conseguimos achar uma música onde a gente conseguisse produzir e tentar levar para frente." Sobre a aceitação do público do trap, ele mostrou otimismo: "Não sei por que eu não conheço muitas pessoas. Mas nas poucas músicas que eu escuto, eles falam muito de superação. Então tomara que eles tenham esse coração aberto do jeito que falam nas músicas, porque eu acho que daria certo."
Lançamento do álbum 'Por Vocês Vol. 1'
Enquanto o feat com o trap não se concretiza, a dupla segue investindo em parcerias com outros sertanejos. Nesta quinta-feira (23), eles lançaram o álbum "Por Vocês Vol. 1", primeira parte do novo DVD. A faixa de estreia, "Não namora", já estava disponível desde 6 de março de 2026 e conta com a participação de Zé Neto e Cristiano. O álbum completo, com 23 faixas inéditas, também traz uma colaboração com Jorge e Mateus. As duplas já haviam trabalhado juntas em 2022 na música "Água nos Zói", um dos maiores sucessos de Clayton e Romário. "São duas participações de peso que eu tenho certeza que vão somar bastante", afirmou Romário.
Trajetória da dupla: da farra ao romantismo
Os irmãos Clayton, de 40 anos, e Romário, de 35, cantam juntos desde a infância. Em 2008, os goianos iniciaram a carreira profissional em bares e churrascarias de Barretos, interior de São Paulo. O grande estouro veio em 2020, durante a pandemia, com a música "Pingaiada", do álbum "No Churrasco". O projeto, de clima festivo, ganhou um segundo volume. A dupla também marcou presença no sertanejo romântico com "Namorando ou não", em parceria com Luan Santana.
Agora, Clayton e Romário investem em um repertório mais romântico e de sofrência, buscando um novo patamar na carreira. As inspirações vêm de artistas como Zezé Di Camargo e Luciano, Leonardo, Milionário e José Rico, Chitãozinho e Xororó, Chrystian e Ralf, além do mexicano Luis Miguel e do espanhol Alejandro Sanz. A paixão pela música latina surgiu em 2003, quando moraram na Espanha por oito meses.
"A gente sabe que as músicas animadas, que têm as letras mais fáceis e que são mais fáceis de chegar no público ou de acontecer, tomam uma proporção muito grande. Mas a gente sabe também que elas passam mais rápido", explicou Clayton. "Então a gente tentou trazer coisas mais conceituais [para este álbum], com alguns ritmos que a gente não tinha feito ainda. A gente espera que elas deem um respeito maior para o Clayton e Romário, e mude um pouco essa coisa de ser só da farra também."
Para a dupla, músicas conceituais são aquelas com melodias que contam histórias. "Elas têm uma dificuldade maior de ser trabalhada e de criar o pertencimento, só que quando se cria o pertencimento com uma música dessa magnitude, ela também permanece por muito mais tempo", afirmou Romário. A seleção do repertório do novo disco levou oito meses.
Sertanejo de volta ao topo?
Clayton acredita que o repertório mais conceitual pode ajudar o sertanejo a retomar a predominância no Top 10 do Spotify, que atualmente é dominado pelo funk. "Eu acho que pelo menos uma ali no álbum vai ter esse trabalho maior de impactar as pessoas. E se acontecer, nós vamos não só estar sendo abençoados com o sucesso que vai durar mais, mas também trazendo o Top 10 mais para o sertanejo", desejou Romário.
Um dos fatores que impulsionaram o funk é a aposta em faixas mais curtas, com cerca de dois minutos. Clayton observa que a música sertaneja já reduziu sua duração ao longo dos anos para se adequar às rádios, mas a dupla não pensa nisso ao produzir. "É difícil a gente mensurar essas coisas. Mas quando a gente foi produzir, a gente produz de acordo com o que a música pede", disse. "E a coisa do primeiro lugar, de estar ali... isso é números, né? A gente vê que o sertanejo começa a ficar mais no topo de sexta-feira para frente. Porque o público que escuta sertanejo, na maioria das vezes, está trabalhando, não fica escutando música o tempo inteiro. Quem escuta o funk, o trap, é a galera mais nova, que vai para escola com fone na orelha escutando."



