De torcedor a profissional: a jornada do caçador de estádios pelo Brasil e mundo
Já imaginou transformar a paixão por futebol em uma profissão que envolve viajar pelo mundo conhecendo estádios? Essa é a realidade do jornalista e influenciador digital Luca Occhialini, que já visitou impressionantes 126 campos de futebol em 13 estados brasileiros e 16 países diferentes. Natural de São Paulo e torcedor do Juventus da Mooca, Luca começou sua relação com os estádios ainda na infância, frequentando a Rua Javari, mas foi com o tempo que essa paixão das arquibancadas se transformou em um projeto de vida completo.
Do hobby ao projeto audacioso: nascimento do 'Futebol de Bagagem'
A ideia surgiu da fusão de duas grandes paixões: futebol e viagens. "Sempre amei futebol e fiz jornalismo por conta disso. Comecei a frequentar estádios quando ainda era criança, mas ia com tanta frequência que se tornou parte da minha rotina", recorda Luca. "Há alguns anos abri uma agência de viagem, porque sempre amei viajar também. Quando estava em trânsito, produzia conteúdo para uma página do Instagram e já aproveitava para conhecer estádios".
Entre 2022 e 2023, o projeto ganhou força significativa quando Luca intensificou o número de partidas assistidas e decidiu criar um perfil exclusivo para compartilhar suas experiências: a página "Futebol de Bagagem". O que começou sem grandes pretensões rapidamente se transformou em uma atividade profissional. "Como tinha inspirações de outras páginas, pensei em criar a minha apenas para compartilhar o que gravava e postar alguns vlogs, sem pretensão nenhuma de levar o Instagram de forma profissional. Porém, acabou dando certo", revela o jornalista.
Desafio nacional: percorrer todos os estados brasileiros em um ano
Tão bem-sucedido foi o projeto que Luca decidiu elevar o nível do desafio: visitar todos os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal em um único ano. Essa empreitada exigiu conciliar complexa logística, calendário reduzido dos campeonatos estaduais e viagens extensas pelo país. A missão vai além de simplesmente assistir a jogos – trata-se de buscar novas histórias e experiências autênticas no futebol brasileiro.
Experiência em Santos: entre o tradicional e o encantador
Em uma de suas paradas recentes, Luca visitou a cidade de Santos, no litoral paulista, onde incluiu dois estádios tradicionais em seu roteiro: o Ulrico Mursa, para assistir à partida entre Portuguesa Santista e Rio Claro pela Série A3 do Paulista, e o Estádio Espanha, no duelo entre Jabaquara e Jacareí pela Série A4.
O estádio da Briosa não era novidade para o jornalista. "Já conhecia o Ulrico Mursa, porque uma vez fui como visitante em um jogo entre Portuguesa Santista e Juventus. Gosto bastante do estádio. Adoro como o vermelho e verde estão por todos os lugares. É um estádio 'raiz', mas nem tanto, por conta da arquibancada coberta", afirma.
Já o Estádio Espanha, localizado na Caneleira, foi uma descoberta especial. "Achei maravilhoso. Também gosto das cores, porque minha cor favorita é vermelho e o estádio é todo pintado de vermelho e amarelo. No fundo do estádio você consegue ver uma floresta, os carros descendo pela rua, tem o alambrado bem próximo ao gramado, atrás você consegue ver a sede do clube e a entrada é bem legal", descreve com entusiasmo.
Detalhes que encantam: placares manuais e lojas oficiais
Detalhes que passam despercebidos por muitos torcedores chamam especial atenção do "caçador de estádios", particularmente os placares manuais que ainda resistem em alguns campos tradicionais. "O placar do Estádio Espanha é maravilhoso. Ainda é o placar manual, que precisa de uma pessoa para trocar os números. O Ulrico Mursa também é assim e valorizo muito, porque gosto desse estilo mais 'raiz'", destaca Luca.
Além disso, o jornalista ressaltou a presença de lojas oficiais nas duas praças esportivas de Santos, algo que não é tão comum em estádios tradicionais. "Gostei muito dos dois, conheço também a Vila Belmiro. Todos os estádios de Santos são legais", completa.
Arena moderna versus estádio tradicional: uma análise experiente
Para quem já percorreu estádios de diferentes tamanhos e realidades pelo país, a comparação entre arenas modernas e palcos tradicionais surge naturalmente. "A grande diferença entre as arenas mais modernas e os estádios tradicionais é que o primeiro te oferece uma experiência, com um atendimento melhor e, em alguns casos, mais proximidade ao campo", analisa Luca. "Agora, para quem gosta mesmo de futebol e não apenas de um time, que é o meu caso, ir aos estádios tradicionais é mil vezes melhor".
Do registro à produção: documentando a essência do futebol
Ao longo de suas viagens, Luca não apenas assistiu a jogos e registrou histórias, mas também transformou algumas experiências em projetos audiovisuais significativos. A final do Paulistão A4 de 2025, entre União Barbarense e Paulista de Jundiaí, foi transformada em um documentário completo, desenvolvido e produzido pelo próprio jornalista, retratando com sensibilidade a essência do futebol do interior paulista.
Um tempo depois, a obra foi exibida em um cinema de Santa Bárbara d'Oeste, cidade do campeão estadual, demonstrando como o projeto transcende as redes sociais e alcança formatos mais tradicionais de exibição. Cada estádio visitado representa não apenas uma nova experiência esportiva, mas também uma história única sobre cultura, tradição e a paixão que move milhões de brasileiros.
