Violoncelista brasileiro radicado na Áustria lança álbum que funde música japonesa e brasileira
Violoncelista brasileiro lança álbum com fusão nipobrasileira

O violoncelista Lucas Muramoto, natural de Itaporanga (SP) e criado na província de Gunma, no Japão, está prestes a lançar seu primeiro álbum internacional, intitulado 'Nocturne', na terça-feira (5). Atualmente residente na Áustria, o músico de 27 anos celebra em seu trabalho a fusão cultural entre Brasil e Japão, países separados por mais de 16 mil quilômetros, mas unidos por décadas de intercâmbio musical.

Trajetória de um músico entre dois mundos

Lucas Muramoto mudou-se para o Japão com apenas um ano de idade, acompanhando os pais. Foi lá que, aos nove anos, começou a ter contato com instrumentos musicais, mas foi aos 15 que sua vida artística ganhou um rumo decisivo. Ao saber que o renomado violoncelista brasileiro Antônio Meneses estava em Tóquio, enviou-lhe uma mensagem apresentando-se como um brasileiro que tocava violoncelo no Japão. O encontro rendeu conselhos valiosos e um direcionamento profissional.

Aos 16 anos, Lucas retornou ao Brasil para se reconectar com suas raízes. Estudou no Conservatório de Tatuí (SP) e, posteriormente, mudou-se para São Paulo, onde conheceu um professor que lecionava em Salzburgo, na Áustria. Após ser aprovado no processo seletivo, mudou-se para a Europa e continuou seus estudos com Antônio Meneses, que se tornou uma figura central em sua formação até o falecimento do mestre, em agosto de 2024.

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O álbum 'Nocturne' e a parceria com Yu Nitahara

A ideia do álbum surgiu da vontade de materializar sua atividade solo. Em parceria com o pianista japonês Yu Nitahara, Lucas reuniu obras de compositores japoneses interpretadas ao violoncelo, mescladas a composições brasileiras. O projeto ganhou força após sua participação em um concerto que celebrou os 130 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Japão, no ano passado.

O repertório do disco transita entre a música clássica erudita e gêneros populares brasileiros, como seresta, choro, frevo e baião. Segundo Lucas, a narrativa do álbum reflete justamente a ideia de que 'coisas distantes podem parecer bem próximas', uma metáfora para a relação cultural entre os dois países.

Homenagem a Antônio Meneses

O disco também funciona como uma homenagem a Antônio Meneses, que esteve presente nas gravações em estúdio em 2023, oferecendo orientações. Lucas destaca que a influência do mestre é uma peça-chave na parte brasileira do álbum, que celebra a relação entre aluno e professor.

Em relação às expectativas comerciais, o violoncelista é realista: as plataformas de streaming pagam menos de um centavo por reprodução, então o objetivo principal não é o retorno financeiro. Para ele, o álbum serve como um 'cartão de visita' e um registro do início de uma jornada artística, abrindo precedentes para futuros trabalhos com qualidade e liberdade criativa.

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