O projeto "Retratistas do Morro", criado em 2015, tem despertado atenção não apenas no Brasil, mas também em diversos países ao redor do mundo. A iniciativa se dedica à conservação, pesquisa, curadoria e restauração digital do valioso acervo dos fotógrafos João Mendes e Afonso Pimenta. Esses profissionais registraram, desde o final da década de 1960, o cotidiano e as memórias afetivas dos moradores do Aglomerado da Serra, localizado na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Um acervo impressionante e diversificado
O acervo do projeto é composto por aproximadamente 250 mil fotogramas, incluindo negativos em preto e branco e também coloridos. Os registros apresentam diversos formatos, como 6x6, 120, 35 mm, meio quadro 35 mm e slides, demonstrando a riqueza técnica e histórica da coleção. Essas imagens capturam décadas de vida comunitária, retratando a realidade de trabalhadores, populações negras e moradores de favelas com intensidade e sensibilidade.
Reconhecimento internacional e celebração de uma década
Fundado pelo artista visual, pesquisador e ativista cultural Guilherme Cunha, o projeto completou 10 anos em 2025, alcançando projeção internacional significativa. As obras foram apresentadas em seis países: França, Espanha, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e China. No ano passado, os fotógrafos participaram de 20 exposições, incluindo mostras individuais, produções do próprio projeto e coletivas nacionais e internacionais.
Guilherme Cunha destaca a importância do reconhecimento da obra desses fotógrafos: "É muito importante observarmos o movimento de reconhecimento da obra desses fotógrafos, dentro e fora do Brasil. Eles representaram um movimento de artistas que produziu imagens de forma muita intensa, ao longo de mais de 60 anos, retratando a vida do brasileiro trabalhador, periférico, das populações negras e moradores de favela".
Experiências internacionais dos fotógrafos
Afonso Pimenta, que foi pugilista na juventude e teve oportunidade de viajar ao exterior, saiu do país pela primeira vez como fotógrafo, acompanhando mostras na França e na China. "Na China, visitamos seis cidades. Apesar de um pouco cansativa, a experiência é muito boa! Conhecemos muitos lugares e pessoas. Inauguramos exposições e também concedemos muitas entrevistas. Procurando fazer o melhor para representar o Brasil, Minas Gerais e o Aglomerado da Serra", relata.
João Mendes expressa sua alegria ao ver sua obra exposta internacionalmente: "Foi muito bom, não esperava isso. Não achava que o projeto iria para tão longe. Ver o nosso trabalho despertando o interesse de tanta gente fora do meu país é muito gratificante". A importância do registro e da manutenção da memória dos moradores de comunidades de Belo Horizonte foi destacada no programa Rolê nas Gerais, exibido pela TV Globo em Minas.
Territórios de Memórias: celebração no local de origem
Para celebrar os dez anos de atuação, foi lançada no fim do ano passado a exposição "Retratistas do Morro – Território de Memórias". Esta é a primeira grande mostra realizada dentro do Aglomerado da Serra, onde o projeto nasceu, fortalecendo o vínculo com a comunidade que inspirou todo o trabalho.
A exposição reúne seis fotografias em formato "outdoor", com até 9 metros de altura, instaladas em pontos simbólicos do aglomerado. As obras podem ser apreciadas até o fim do ano nos seguintes locais:
- Galeria 1: Adaílson Pereira da Silva no Baile Soul do DCE, de Afonso Pimenta - Rua Jefferson Coelho da Silva, 1089, Marçola - Praça do Cardoso.
- Galeria 2: Elana dos Santos no Baile da Italiana, de Afonso Pimenta - Rua Jefferson Coelho da Silva, 1130 - Praça do Cardoso.
- Galeria 3: Sônia Cristina da Silva, de João Mendes - Rua Jefferson Coelho da Silva, 1130 - Praça do Cardoso.
- Galeria 4: Aniversário de 6 anos da Renatinha, de Afonso Pimenta - Depósito do Paulo - Rua Serenata, 46.
- Galeria 5: Série Becas, de João Mendes - Rua Binário, 245, Santana do Cafezal.
- Galeria 6: João Cardoso dos Santos, de João Mendes - Rua Binário, 254, Santana do Cafezal.
O projeto Retratistas do Morro continua a expandir seu alcance, preservando a memória coletiva e promovendo o reconhecimento da cultura periférica através da potência das imagens fotográficas.



