Nei Lopes, aos 83 anos, revisita passado após perda da esposa e prepara autobiografia
Um dos grandes nomes do samba e também escritor, pesquisador e intelectual da cultura afro-brasileira, Nei Lopes, de 83 anos, é o convidado desta semana da coluna GENTE. Em entrevista exclusiva, ele revela detalhes sobre sua autobiografia, que será lançada em maio, e compartilha reflexões profundas sobre sua trajetória, marcada por conquistas e pela perda trágica de sua esposa, Roberta.
Revisão da própria história como terapia
Nei Lopes descreve o processo de escrita de sua autobiografia como uma viagem terapêutica. "Foi uma viagem, uma terapia também, logo que comecei esse trabalho", conta o artista. Ele iniciou o projeto após um período difícil em sua vida, quando perdeu a esposa dos seus sonhos, Roberta, vítima de um infarto. "Me deixou muito mal. E essa viagem por esse trabalho foi o encontro de todas as lembranças, as coisas familiares, menos conhecidas", revela.
O trabalho, que levou dois anos para ser concluído, permitiu que Nei explorasse memórias de sua família e infância. "Algum tempo já vinha tendo a vontade de escrever a história da minha família, daí aproveitei esse trabalho para falar dos meus irmãos, minha mãe, meu pai, do ambiente de casa", explica. Ele destaca a boa convivência familiar e o ambiente musical em que cresceu, onde todos conheciam instrumentos de sopro e percussão.
Distinção entre samba e Carnaval
Em sua entrevista, Nei Lopes faz uma distinção clara entre o samba como gênero musical e o Carnaval como festividade. "Gosto muito mais do samba do que do Carnaval. Muita gente não compreende quando falo isso", afirma. Para ele, o samba é uma expressão cultural brasileira que não deve estar atrelada a calendários específicos. "O samba ensina coisas mais sérias, que merecem um cuidado maior. O Carnaval, hoje, é bagunça, é coisa de boa forma", complementa.
O sambista também ressalta o peso político do samba na história do Brasil. "O samba tem um peso político muito grande na história brasileira. O samba no Brasil concorre com suas músicas por um espaço de igualdade no aspecto global", analisa. Ele compara a música brasileira com a norte-americana, destacando o papel do samba e da música afro-cubana nesse contexto.
Trajetória e legado musical
Nei Lopes tem uma carreira marcada por contribuições significativas para a cultura brasileira. Compositor de sambas clássicos gravados por artistas como Alcione e Zeca Pagodinho, ele também é autor de dezenas de livros, incluindo obras de referência como Enciclopédia brasileira da diáspora africana. Em 2025, voltou à Sapucaí após 30 anos, como destaque da escola de samba Paraíso do Tuiuti, com o enredo Lonã Ifá Lukumi, inspirado em seu livro Ifá Lucumí: o resgate da tradição.
Sobre o peso da idade, Nei brinca: "O Peso? É o peso de precisar fazer pilates (risos). É o jeito que a gente tem se quiser continuar, é preciso". Ele agradece ao filho, que cuida de todos os detalhes para que ele possa seguir ativo.
O programa da coluna GENTE
A entrevista completa com Nei Lopes está disponível no programa semanal da coluna GENTE, que vai ao ar toda segunda-feira. O conteúdo pode ser assistido:
- No canal da VEJA no Youtube
- No streaming VEJA+
- Na TV Samsung Plus
- No canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast
Nei Lopes compartilha em primeira mão os temas que estarão presentes em sua autobiografia, oferecendo uma visão íntima de sua vida e obra, que continua a inspirar gerações.



