Marquês de Sapucaí: a história real do homem por trás do nome do sambódromo carioca
A relevância histórica de Marquês de Sapucaí, nascido Cândido José de Araújo Viana em 1793, ficou eternizada no nome do sambódromo que sedia o Carnaval carioca desde a década de 1980. Quem dá nome à avenida é um homem real, em dois dos possíveis sentidos da palavra: ele de fato existiu na história e era profundamente ligado à monarquia brasileira.
Trajetória acadêmica e profissional formidável
Marquês de Sapucaí nasceu em Congonhas do Sabará, em Minas Gerais, município que hoje se chama Nova Lima. Teve uma trajetória acadêmica e profissional impressionante, que começou quando foi nomeado pelo príncipe regente Dom João VI ao cargo de ajudante de ordenança do Termo de Sabará. Depois, ingressou no curso de Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde se tornou bacharel.
Ao retornar ao Brasil, entrou para a carreira pública, tornando-se deputado, juiz, desembargador, ministro da Fazenda durante o período regencial, senador e conselheiro de Estado. Foi ainda procurador da coroa e ministro do Supremo Tribunal de Justiça, demonstrando uma dedicação exemplar ao serviço público.
Professor da família imperial
Por sua profunda proximidade com a administração real, foi escolhido para ser o professor de literatura e ciências positivas de Dom Pedro II, que foi nomeado sucessor do império com apenas 5 anos de idade. Como era muito jovem, o menino não assumiria o poder de fato: quem governava eram representantes do rei, chamados de regentes, que tinham ainda como função assegurar a educação do filho do imperador.
Décadas depois, Dom Pedro II escolheria Viana para ser professor de literatura e português de suas filhas Isabel e Leopoldina, reforçando os laços de confiança e respeito entre a família imperial e o marquês.
Habilidades artísticas e reconhecimento
Além das habilidades jurídicas, era um homem afeiçoado às línguas e às artes. Escrevia poemas e entendia de música, tendo até algumas composições autorais em seu repertório, o que mostrava seu lado criativo e sensível.
Recebeu o título de marquês em 1872, já aposentado, como reconhecimento por seus serviços dedicados à coroa brasileira, um prêmio merecido por décadas de lealdade e trabalho árduo.
Legado no Carnaval carioca
Com sua morte em 1875, seu nome foi escolhido para batizar uma avenida em homenagem a ele, nascendo, assim, a Avenida Marquês de Sapucaí. O sambódromo carioca recebeu o nome de Marquês de Sapucaí apenas por causa da via onde foi construído, bem ali, tornando-se um símbolo do Carnaval.
Vale ressaltar que o nome oficial do sambódromo é Passarela Professor Darcy Ribeiro, homenageando o antropólogo e idealizador do projeto arquitetônico que foi assinado por Oscar Niemeyer, mas a associação com o marquês permanece forte na cultura popular.
