O rapper mineiro FBC, conhecido por sua versatilidade, acaba de lançar seu sétimo álbum de estúdio, intitulado Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades. O disco, que chegou às plataformas digitais em 1º de maio, já está dando o que falar por sua ousada fusão de rap e rock, além de uma forte crítica social.
Uma jornada do nascimento à morte
O álbum é conceitual e traça a trajetória de um cidadão brasileiro, do nascimento até a morte, em um país marcado pela fome, violência e desigualdade. A abertura e o fechamento do disco são feitos com músicas de João Bosco e Aldir Blanc, ícones da música brasileira que, nos anos 1970, já denunciavam as mazelas do Brasil urbano. A faixa de abertura, Gênesis (Parto), é recriada em um canto falado sobre uma base percussiva que remete a um ponto de umbanda. Já o encerramento, Tiro de misericórdia, transita entre o rock hardcore e o samba seco.
Rock e rap de mãos dadas
FBC não se limita a um único gênero. Em O ronco da cuíca, ele transforma o samba original em uma faixa de punk rock com batida pulsante, mantendo o canto do rap. Já em Não vote em ninguém, a influência do hardcore é evidente. O produtor musical Baka (Rafael Corrêa Braga) teve papel fundamental na sonoridade do álbum, tocando baixo e guitarra, além de produzir todas as faixas ao lado de FBC. Daniel Souza e DJ Cost também são colaboradores frequentes.
Parcerias de peso
O álbum conta com participações especiais, como o rapper mineiro Djonga e o DJ Cost em Homo sacer, e MC Taya em Canudos, que mistura funk, rap e rock. A capa, uma ilustração explosiva do artista visual Kawany Tamoyos, já sinaliza a intensidade do conteúdo.
Um retrato sem filtro do Brasil
FBC, que já havia explorado o pop funky dos anos 1980 em Baile (2021) e o soul e a dance music em O amor, o perdão e a tecnologia irão nos levar para outro planeta (2023), retorna às ruas com o peso do boombap em Assaltos e batidas (2025) e agora se volta para o rock. O resultado é um disco pujante, que une a rebeldia do rap com a energia do rock, sem reinventar a roda, mas com muita autenticidade. O single Bandido bom, lançado em 17 de abril, antecipou o tom crítico do álbum, que expõe um Brasil em convulsão social, com mais fuzis do que guaranás.



