Escritor neurodivergente doa obra autobiográfica para bibliotecas de Cabo Frio
O escritor, tatuador e criador de conteúdo Adriano Hordina, de 37 anos, que vive na estrada em uma Kombi há cinco anos, esteve em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16), realizando a doação de exemplares do livro "Diário de um Neurodivergente" para bibliotecas públicas do município.
Projeto literário com distribuição gratuita
A iniciativa faz parte de um projeto do autor que destina todo o valor arrecadado com as vendas para a impressão de novos livros, que são distribuídos gratuitamente. O escritor, formado em Direito, História, Geografia e Filosofia, construiu sua trajetória fora dos padrões convencionais, vivendo na estrada e em constante movimento.
Adriano transforma experiências pessoais em arte, transitando por diferentes linguagens, como a escrita, a tatuagem, a produção de vídeos e a participação em festivais culturais. Durante sua passagem por Cabo Frio, o autor afirmou ter se sentido profundamente conectado à cidade.
Conexão com a história local
Segundo ele, a arquitetura local, que mistura elementos históricos com o urbano contemporâneo, despertou o desejo de retornar para conhecer mais profundamente a história do município. "Não quero apenas ver essa história de forma passiva, mas também contribuir, deixando a minha própria história através do meu livro nas bibliotecas públicas. Cada pessoa vibra de uma forma, e eu quero que a minha vibração também fique na cidade", destacou o escritor.
O autor também pretende ampliar a iniciativa para bibliotecas de toda a Região dos Lagos, expandindo o alcance de seu projeto literário que prioriza o acesso gratuito à literatura.
Obra como espaço de identificação
O livro "Diário de um Neurodivergente" é uma autobiografia que ultrapassa o relato pessoal e se propõe como um espaço de identificação para leitores que nunca se sentiram representados. A obra aborda:
- A infância marcada pelo sentimento de não pertencimento
- Dificuldades no ambiente escolar
- Experiências intensas que moldaram a forma do autor perceber o mundo
Entre os principais temas do livro estão a neurodivergência, a construção da identidade fora dos padrões, a solidão, o pertencimento, a arte como forma de sobrevivência e o autoconhecimento como caminho de liberdade.
Diferença como linguagem própria
Um dos diferenciais da obra, segundo o autor, é a forma como a diferença é apresentada. "Ela não aparece como erro, mas como uma linguagem própria. O livro não tenta encaixar o leitor em um modelo, mas abre espaço para que cada pessoa reconheça sua própria forma de existir", explica Adriano.
Ao longo da narrativa, vivências que poderiam ser vistas como fragilidades são transformadas em consciência, linguagem e criação, oferecendo uma perspectiva única sobre a experiência neurodivergente.
Acesso ampliado em formato áudio
Além da versão impressa, "Diário de um Neurodivergente" também está disponível gratuitamente em formato de audiobook, narrado pelo próprio autor. Adriano conta que a ideia foi ampliar o acesso ao conteúdo, especialmente para mães e familiares.
"Quis que qualquer mãe pudesse ter acesso, nem que fosse ouvindo o livro enquanto cuida do filho. O livro é um presente para quem nasceu diferente, mas também um portal para que uma mãe entenda que a diferença não é uma distância, e sim uma outra forma de conexão", afirma o escritor.
Futuras expansões do projeto
Adriano Hordina já adiantou que pretende retornar ao Rio de Janeiro em outras oportunidades para ampliar a distribuição gratuita da obra em bibliotecas públicas e continuar o diálogo com leitores por meio da arte e da literatura. O autor, que vive em sua Kombi há cinco anos, segue transformando sua experiência nômade em produção artística e literária significativa.
A obra representa não apenas um relato autobiográfico, mas uma ferramenta de conexão e compreensão para aqueles que se identificam com experiências de neurodivergência e busca por pertencimento em um mundo que frequentemente valoriza a padronização.



